O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reune nesta quarta-feira (12) para julgar José Milton Júnior, 29 anos, pelo assassinato do adolescente Gabriel de Lima Garcia, 15, crime ocorrido em abril de 2014 no Jardim Umuarama. O réu foi preso praticamente dois anos depois.
Segundo a denúncia, o assassinato teria ocorrido a mando de Bruno da Silva Vargas, que foi morto em 1º de maio de 2015. O adolescente teria assediado a companheira de Bruno, que decidiu se vingar e convidou José Milton para auxiliá-lo no crime.
Ainda de acordo com a denúncia, o réu conduzia uma moto, tendo Bruno como passageiro. Eles viram Gabriel caminhando na rua Joaquim Cândido.
José Milton estacionou a moto, foi até a vítima, a empurrou contra a parede e sacou a faca que trazia na cintura.
Assustado, Gabriel disse: “não Zé, pelo amor de Deus, desculpa”. Apesar dos apelos, o réu passou a golpear o adolescente com a faca, enquanto Bruno vigiava o local.
Mesmo ferido, Gabriel saiu correndo, mas foi alcançado na rua Joaquim Batista Botelho e atacado novamente. Após o crime, a dupla fugiu com a moto, deixando a faca ao lado da cabeça da vítima.
Ferimentos
A polícia foi informada do crime e uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi ao local, onde constatou que o adolescente estava morto. Exame necroscópico apontou lesões na região da coluna, no rosto, no tórax, nas mãos e no pescoço da vítima, com hemorragia.
Um dia após o assassinato, a polícia recebeu denúncia anônima informando sobre a participação de Bruno no crime e confirmou que dias antes ele e o adolescente haviam se desentendido.
Ainda de acordo com a polícia, José Milton confessou a familiares de Bruno que ele havia matado Gabriel e uma testemunha confirmou que eles foram os autores do crime.
Fugiu
Apesar de ter identificado os autores, a polícia não conseguiu localizar José Milton, que teria fugido da cidade após o assassinato de Bruno, por medo de também ser morto.
O mandado de prisão preventiva dele foi expedido em março de 2016, quando a Justiça recebeu a denúncia contra ele.
Ele foi preso por policiais militares 6 dias depois, ao ser encontrado na casa dele, na rua Francisco Vilela.
Qualificado
José Milton foi denunciado por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe (vingança pelo assédio à companheira de Bruno), com meio cruel e usando recurso que dificultou a defesa da vítima.
O julgamento está marcado para as 9h no Fórum de Justiça de Araçatuba. O Ministério Público será representado pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho e a defesa do réu feita pelo defensor público Vagner Eduardo Andrelini de Freitas.