7 de abril é o Dia do Jornalista! Mas há o que comemorar? Acredito que em nenhum momento nos meus 16, quase 17 anos atuando no jornalismo diário eu vi a imprensa ser tão atacada e demonizada como agora. Muitas pessoas não conseguem ver o jornalismo como uma profissão. Não conseguem perceber que atrás de uma notícia publicada, uma pessoa teve que apurar, entrevistar, usar os seus conhecimentos para poder informar o fato.
A imprensa tem papel fundamental em qualquer sociedade e o jornalista é o principal responsável por informar a população. No meu caso, foram anos de estudo, de dedicação, de sacrifício para poder me formar e exercer a profissão, da qual tenho muito orgulho e prazer. Eu sei o quanto meu trabalho é importante para a sociedade, mas não preciso ser parabenizado por isso. Simplesmente faço o meu trabalho.
E nessa pandemia, esse trabalho aumentou muito, muito mesmo. E assim como cresceu a demanda por informação, cresceu ainda mais a responsabilidade dos jornalistas sérios, que exercem a sua função, que é relatar os fatos como eles são.
Todos os dias, desde o primeiro boletim diário com dados da Vigilância Epidemiológica, em março do ano passado, eu produzo matérias e repasso as informações, que não foram criadas pela imprensa. São as informações oficiais, que têm como objetivo orientar as pessoas para que elas saibam da situação da pandemia e decidam como devem agir diante desse cenário.
Não teve um dia sequer que eu não tenha recebido o boletim diário e não tenha publicado uma matéria a respeito. E pretendo continuar fazendo isso até que não haja mais necessidade, pois acredito sim que essa pandemia será controlada. Não sei quanto tempo isso vai levar, mas independentemente disso, pretendo cumprir o meu papel de jornalista, que é informar a população.
É muito comum ouvir pessoas dizendo que a imprensa só fala do coronavírus. Eu também gostaria de dedicar meu tempo relatando outros assuntos, entrevistando outras pessoas, mas essa é a realidade. A pandemia está aí. Milhares de pessoas morreram em todo mundo e outros milhões irão perder a vida.
E uma das formas de tentar minimizar o impacto dessa pandemia é com a informação. E como jornalista, eu não vou esconder a pandemia debaixo do tapete, fazendo de conta que ela não existe, enquanto amigos meus, pais de amigos meus e de pessoas que gosto estão morrendo.
Em Araçatuba, por exemplo, apesar de todo trabalho feito pela imprensa, informando sobre como se prevenir, 18.629 pessoas tiveram o diagnóstico positivo para coronavírus. Isso representa quase 10% da população. E 497 vidas foram perdidas, ou seja, 2,6% dos infectados.
Para quem acha pouco, em tese ainda teria 90% da população com risco de ser infectada, ou seja, muito mais vidas podem se perder, principalmente porque a pandemia só se agrava.
Diante deste cenário, a informação será cada vez mais essencial, para quem tem o interesse de se informar, e sei que muita gente quer ser informada. E como disse, não vou me abster de cumprir com meu papel de informar. Se pelo menos eu conseguir ajudar uma pessoa por dia divulgando os fatos como eles são, já me sentirei satisfeito, pois sei que meu trabalho não é em vão.
Respeito os que discordam, mas peço respeito aos que não concordam, pois toda profissão é digna e o jornalismo é uma delas.
