Dia desses assisti ao filme “Snowden, Herói ou Traidor”. Trata-se da história verídica de um gênio homônimo que denunciou o vazamento de documentos sigilosos em um órgão de grande relevância do governo dos EUA. Estes documentos incluíam a quebra de privacidade na vida de civis por meio da câmera de seus celulares ou computadores que eram acionadas ilegalmente, ou da invasão em seus e-mails ou redes sociais.
A partir desse filme, pude me conscientizar de como somos manipulados! Já não é tão novidade assim; “compre isso, não use aquilo, coma aquilo outro etc”.
Pensando sobre isso, com uma certa angústia crescente em mim, percebi que os últimos editais de fotografia que tentei participar requereram e contemplaram trabalhos direcionados quase todos a temas que envolviam assuntos sociopolíticos conflitantes.
Sou completamente a favor da discussão de tais temas até que essa realidade sub-humana brutal seja transmutada. Mas será que todo artista deve trabalhar a partir dos mesmos temas? Não estamos sendo tolhidos em nossa liberdade criativa quando produzimos de maneira engessada na ânsia de sermos aceitos em galerias e editais?
Será que não estamos produzindo arte encaixotada? Será que a arte produzida sob influência daquilo que querem nos atribuir tem alma? Como diz o mestre Scott MacLeay, “e daí que seu trabalho não foi aceito, você está fazendo para eles ou para você?”.
E com essas palavras certeiras de Scott eu entoo meu grito de liberdade dessa paranoia escravagista gerada por influenciadores digitais ou curadores autocratas.
Minha arte brota do meu coração e aposento minhas ferramentas no dia em que deixar de ser assim. Internet e editais eventualmente me inspiram e motivam, mas não podem ter o poder de determinar quem sou, nem na minha vida privada, nem na minha vida artística.
Aplaudo de pé a todos os artistas que criam a partir daquilo que transpira de seus poros e de suas próprias inquietações, que não se rendem a opiniões opressoras, que produzem sem esperar aprovação e, com isso, mostram ao mundo que a originalidade é mãe da beleza, enquanto a padronização é rainha num depósito de robôs contaminados com malware.