Opinião

A baixa lucratividade não é um problema, é um sintoma

"Numa analogia simples, uma empresa é como um recém-nascido que ao chorar não demonstra o problema, mas sim um sintoma (fome, cólica, sono). A falta de lucro é o 'choro' da empresa, e ele só será cessado se detectado e corrigido o problema"

Éderson Leandro Rigon*
09/11/21 às 20h30

A necessidade de geração de lucro está para uma empresa assim como o oxigênio está para um indivíduo. Alguém pode até contestar essa afirmação, principalmente ao comparar situações de grandes e conhecidas empresas que o operam no prejuízo, e estão ganhando cada vez mais espaço no mercado.

Um exemplo típico dessa situação é o Nubank, uma das maiores instituições financeiras do mundo, que iniciou as atividades em meados de 2013, mas apresentou lucro apenas no primeiro semestre de 2021, após sucessivos prejuízos. Porém, mesmo apresentando prejuízos por aproximadamente 8 anos, a empresa cresceu exponencialmente a ponto de se tornar o maior banco digital do mundo.

A estratégia dos investidores da empresa foi ganhar mercado ao longo desses anos, mas sem dúvidas, os lucros esperados superarão o prejuízo acumulado no período.

Esse cenário de prejuízos para ganhar mercado não pode servir de base para a maioria das empresas, principalmente as pequenas e médias, que dependem do lucro e da geração de caixa para se manterem ativas. Porém, algumas empresas lidam com a falta de lucro como o problema, e na realidade ele é um sintoma.

Numa analogia simples, uma empresa é como um recém-nascido que ao chorar não demonstra o problema, mas sim um sintoma (fome, cólica, sono). A falta de lucro é o “choro” da empresa, e ele só será cessado se detectado e corrigido o problema.

Uma empresa com baixa lucratividade pode estar com um ou inúmeros problemas, e uma análise superficial, poderá levar o empresário a tomar decisões equivocadas, e piorar a situação. Aumentar as vendas, uma das primeiras atitudes que a maioria toma, diante da baixa lucratividade, pode piorar a situação, pois o aumento das vendas pode também provocar aumento nos custos, maiores gastos com marketing e necessidade de mais empregados.

Muitas vezes, os problemas para a baixa lucratividade não estão demonstrados nos relatórios contábeis e financeiros. Uma empresa que possui capacidade ociosa, por exemplo, necessitará de dados, além dos financeiros, para identificar e corrigir as causas, podendo ser baixa produtividade da equipe, estrutura física além da necessária para a operação, ou fatores externos, como atrasos de fornecedores no envio de mercadorias.

A interpretação incorreta de informações financeiras é outro fator que pode comprometer o lucro. Não saber exatamente o quanto uma venda contribui para a lucratividade da empresa, dificultará, por exemplo, uma política de descontos que não cause impactos negativos. Não considerar pequenos gastos, é um outro exemplo, pois como diria Tadashi Kadomoto “ninguém tropeça em montanhas, os tropeços ocorrem em pequenas pedras que são negligenciadas pelo caminho”.

Aquela sacola para embalagem que custou apenas alguns centavos, o brinde para o cliente sem a mensuração correta do impacto no lucro, aquela tarifa de antecipação de cartão de crédito que parece ser muito atrativa, são exemplos que podem causar um efeito negativo no resultado, e que deverão ser corrigidos.

É sempre importante contar com a ajuda de um contador para uma análise mais profunda das causas para a baixa lucratividade, pois mais importante do que os números, é o que eles representam.

(Foto: Arquivo pessoal)

 

*Éderson Leandro Rigon é mestre em contabilidade e professor universitário em Araçatuba.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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