Opinião

A dramática e interminável busca pela felicidade (parte 2)

"Felicidade passou a ser experimentada apenas em cápsulas ou mesmo em 'bolhas' encharcadas de prazeres momentâneos e, pior, separada de toda e qualquer noção ética fundamental de bem e mal"

José Márcio Mantello
25/06/23 às 10h50

Começamos abordando no artigo anterior sobre a busca efêmera pela felicidade. E como a
procuramos nos lugares errados. Me veio à mente um outdoor (de uma famosa marca de roupas) que vi há muitos anos em São Paulo, o qual estampava uma bela modelo com um vestido casual. E o slogan era: “Felicidade é poder vestir “P” (tamanho).

Segundo essa “lógica” do anúncio comercial, quem não consegue vestir “P” (a esmagadora maioria) seria, então, infeliz. Claro que essa definição parte de uma de nossas distorções do que seja a felicidade, que nem de longe, passa à sua margem. E esse ditame, de querer definir o que é felicidade, baseado em estética, posses, lugares, realizações, etc, apenas aumenta a angústia, a “culpa” de quem não se sente feliz, afinal, a tal da felicidade é a fome humana básica.

Pascal (1.623-1.662 d.C.) já dizia: “Todos procuram a felicidade, sem exceção; apesar de usarem meios diferentes, todos trabalham para esse objetivo”. Fato é que buscamos (consciente ou inconscientemente) uma felicidade artificial, plástica e de aparentes resultados; algo para ser postado para outros verem (fenômeno do advento das redes sociais).

Felicidade passou a ser experimentada apenas em cápsulas ou mesmo em “bolhas” encharcadas de prazeres momentâneos e, pior, separada de toda e qualquer noção ética fundamental de bem e mal. Assim, “ser feliz” a qualquer custo passou a ser o grande alvo da vida, independente dos meios que sejam utilizados.

Epicuro, filósofo grego (341-269 a.C.) já definia felicidade como prazer e que esse deveria ser o começo e o objetivo de toda vida. Porém, se o prazer (meio para ser feliz) está dissociado da ética (bem x mal), então, podemos afirmar que, aquele que recebe maior satisfação por fazer o mal será mais feliz que qualquer um que receba menos por fazer o bem. Que conceito perigoso!

Assim, a felicidade seria apenas o produto de circunstâncias favoráveis alcançadas, seja pelo esforço, pela sorte ou até pelo mal que praticamos. Seria esse, realmente, o caminho para a felicidade? Seria ela ao menos parecida com o que imaginamos?

Finalizaremos esse tema, no próximo e último episódio

Foto: Divulgação

 

José Márcio Mantello é advogado criminalista na comarca de Araçatuba e Teólogo

Graduado em Direito pela UNITOLEDO; Pós-Graduação em Docência do Ensino Técnico e Superior pela UNITOLEDO; Pós-Graduação em Prática Penal Avançada pelo DAMÁSIO EDUCACIONAL; Especialização em Execução Penal pelo IDPB – Rio de Janeiro
Atuação no Tribunal do Júri

 

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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