Opinião

A música brasileira no 1º semestre 2019

“Atrás/Além” - O Terno. Em seu quarto disco, a banda paulistana apresenta sua obra mais densa e complexa

Eduardo Martinez* - Hojemais Araçatuba 
02/09/19 às 19h05

O primeiro semestre de 2019 passou há pouco e a mão dos maníacos por listas já começa a tremer. Já elencou os discos brasileiros que se destacaram nesse meio ano? Naturalmente tem muito mais coisa do que os citados abaixo, mas esses quatro já são uma boa amostra da qualidade da produção de 2019 até aqui.

“Atrás/Além” - O Terno. Em seu quarto disco, a banda paulistana apresenta sua obra mais densa e complexa. Um disco conceitual, com letras que se completam e segundo o vocalista/guitarrista e compositor da banda, Tim Bernardes, retratam um momento de ruptura, de mudança de fase na vida. O trio aparece acompanhado de arranjos de cordas e/ou metais e elementos diversos. Ouça: “Pegando Leve”, “Passado/Futuro” e “Bielzinho/Bielzinho”.

“Violeta” - Terno Rei. Mais uma banda paulistana com “terno” no nome, mas as coincidências param por aí. “Violeta” é o terceiro disco da banda e o trabalho que deu mais visibilidade pro grupo até agora. Mais “acessível” que os álbuns anteriores, “Violeta” evoca o pós-punk de The Cure e Joy Division e mergulha em tons melancólicos (“Violeta?”) e camadas de Synths. Ouça: “Yoko”, “Dia Lindo” e “Medo”.

“Matriz” - Pitty. A cantora baiana, com a carreira consolidada já há muito tempo, chega a seu quinto disco com tranquilidade pra seguir o caminho que quiser. Não que “Matriz” seja um ponto fora da curva na discografia, mas é um disco que mantém a identidade da cantora ao mesmo tempo que comprova que Pitty está livre do estereótipo da “roqueira” (processo já visível desde “Chiaroscuro”, de 2009), andando com tranquilidade em vários estilos, como no ótimo reggae “Te Conecta”. Ouça: “Te Conecta”, “Ninguém é de Ninguém” e “Motor”.

“Ladrão” - Djonga. Em uma geração riquíssima de rappers, o mineiro Djonga correu por fora. Enquanto, merecidamente, Baco Exú do Blues vinha a tona, Djonga lançou dois ótimos discos, mas foi com “Ladrão” que o rapper “fez a terra tremer”. O disco é pesado, denso em alguns momentos, malemolente em outros e com rimas profundas e certeiras demais pra serem meras legendas de instagram. Ouça: “Hat-Trick”, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Leal”.

Foto: Flávia Baxhix

*Eduardo Martinez é jornalista, editor de imagens e músico. Aficionado por música, entusiasta de novidades e defensor da ideia: quem fala que não se faz mais música boa no Brasil, não procurou direito.

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