Embora empregadas muitas vezes como sinônimos, solidão e solitude não são a mesma coisa. Na verdade, basta observarmos as diferenças básicas entre elas.
A primeira (solidão), normalmente ocorre, não por uma escolha de quem está enfrentando-a, mas por circunstâncias alheias à vontade da pessoa. Por exemplo, a perda de entes queridos, o fim de um relacionamento afetivo, a dificuldade de socializar-se, etc, tudo isso pode nos levar ao seu encontro. A solidão, portanto, é o estado de quem está ou se sente sozinho e sofre com isso. O isolamento involuntário de outras pessoas, pode nos privar de carinho, de afeto, de não
ter alguém com quem possamos dividir nossas tristezas, dores, ou até mesmo, alegrias e conquistas.
Tudo isso, pode desencadear baixa autoestima, depressão, transtornos psicológicos, etc. Por isso, a solidão normalmente é maléfica, pois, pode afetar tanto a saúde mental, como também a física. Portanto, em sua essência, a solidão está associada a algo negativo e improdutivo.
Por outro lado, a solitude, até pode ser encarada como um tipo de solidão, porém, voluntária, ou seja, a pessoa busca estar sozinho momentaneamente, espontaneamente. E, ao contrário da solidão , a solitude pode ser muito benéfica, saudável e extremamente produtiva.
Todos nós vivemos num mundo agitado, onde nos vemos, muitas vezes, obrigados a correr para cima e para baixo tentando cumprir nossas agendas diárias; mas nem sempre nos damos conta de que tal agitação pode nos distanciar de nós mesmos, de nossa essência e até daquelas pessoas que amamos.
Nessas horas é que percebemos o quanto necessitamos tomar a decisão de procurar o “deserto nosso de cada dia”, para que ali, tenhamos a capacidade de nos ouvir, para desenvolvermos nosso autoconhecimento e, ainda para aqueles que possuem e querem desenvolver sua espiritualidade sem as interferências que, naturalmente, nos rodeiam todos os dias.
A história nos conta sobre grandes mestres e pensadores que procuravam regularmente estarem a sós e, para tanto, buscavam lugares como montanhas, cavernas, desertos, etc.
O nosso local pode ser um quarto fechado para um tempo de reflexão e meditação. Pode ainda ser um tempo para leitura, para ouvir música, para cuidar de plantas, fazer uma caminhada em meio à natureza, a prática de um hobbie e, até mesmo, um tempo para não fazer nada, de não pensar em nada. Sim, o ócio temporário também tem uma função de existir. É através dele que muitas vezes recuperamos nossas energias físicas e mentais, nos preparando assim, para o
próximo período produtivo.
Seja qual for a sua escolha para esses períodos, é importante que entendamos a necessidade da solitude. Num tempo onde a grande parte das pessoas quer ser vista, notada, rodeada por afagos virtuais (likes e curtidas), ela se faz necessária para nossa independência e autonomia.
Isso porque, pessoas que vivenciam tais momentos, são menos dependentes de outras pessoas (material e emocionalmente), o que as ajudam a construírem relacionamentos mais saudáveis, seja na família, nos círculos de amizade, nas relações amorosas e até no trabalho.
Portanto, por todos os benefícios elencados acima, a solitude deve fazer parte da agenda (com menor ou maior espaçamento) de todos aqueles que buscam viver melhor e de forma mais produtiva e equilibrada.
