Opinião

A vida desacelerou

"Todos morremos um pouco a cada dia, seja pela perda de nosso próprio tempo ou pela perda daqueles que amamos. Essa sensação deveria ser presença permanente em nossos dias, para que tenhamos consciência de que ações coletivas, que objetivam o bem estar social, devem ser permanentemente defendidas e difundidas"

Renan Salviano*
14/10/21 às 21h40

Será mesmo que a vida desacelerou? As afirmações são tão sensíveis, que em um piscar de olhos estamos num momento afirmando e em outro questionando. 

A pandemia, que só em nosso Estado fez mais de 600 mil vítimas até o momento, desacelerou a vida... Ela trouxe uma nova noção de rumos, perspectivas e aspirações, além, lógico, das expectativas. Ah, as expectativas, elas nos afligem e fazem com que a gente fique refém de um futuro ideal, este que na maioria das vezes está bem distante. 

De repente, vemos, aos poucos, a vida acelerar novamente, o que faz com que um ponto de reflexão seja adotado: mas será mesmo, gente, que a vida desacelerou? As lições da morte tão iminente nos fizeram refletir sobre solidão, individualismo, egoísmo, sobre como somos seres políticos? A endemonização da política permite essa reflexão?

Por óbvio que, por meio do conhecimento empírico, que é pautado na observação, vemos uma mudança significativa no comportamento do indivíduo, na medida em que reconhece que a individualidade exaltada e adorada tem como consequência a desgraça anunciada. 

Não nascemos sozinhos, não vivemos sozinhos e nem morremos sozinhos, apesar de parecer que sozinhos morreremos. Aqui percebe-se que a vida significa o período entre o nascimento e a morte.

Todos morremos um pouco a cada dia, seja pela perda de nosso próprio tempo ou pela perda daqueles que amamos. Essa sensação deveria ser presença permanente em nossos dias, para que tenhamos consciência de que ações coletivas, que objetivam o bem estar social, devem ser permanentemente defendidas e difundidas, pois elas podem, e vão, em determinado momento nos atingir. 

Então, retorno: será que desacelerou, a vida? A vida daqueles que viveram, mas viram seus amores e afetos morrerem, desacelerou; já a daqueles que não tiveram impacto tão próximo, continuou acelerada.

Essa aceleração é em direção ao sucesso difundido em mídias sociais por grupos seletos, pautando-se numa vida de aparências, irreais e insensíveis. O sucesso, oferecido pelo capitalismo, está intrinsecamente ligado ao materialismo e à demonstração de poder político e econômico, o que é uma falácia. 

 

(Foto: Arquivo pessoal)

*Renan Salviano é advogado, professor e pós-graduando em educação em direitos humanos pela Universidade Federal do ABC (UFABC)

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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