Opinião

Adaptação a oportunidades de crescimento é parte do futuro

"Uma recomendação aos empresários e administradores é a de começar, imediatamente, um trabalho de melhoria das práticas de governança e gestão, alinhada ao futuro que se busca alcançar"

Luiz Marcatti*
04/11/21 às 18h15

Desde os momentos iniciais da pandemia, o mundo empresarial passou por grandes incertezas, apontando para um cenário mais complexo e de constantes mudanças. Alguns setores foram fortemente afetados e buscam clareza para avaliar o cenário e sobreviver num futuro próximo, enquanto há os negócios que prosperaram, alguns até de forma surpreendente.

Para se adaptar a um cenário em transformação, diversos setores têm debates e caminhos distintos sobre o que as empresas podem fazer e como agir em relação a oportunidades de crescimento. Qualquer que seja o interesse do investimento, cabem algumas observações importantes.

Fusão ou aquisição – para uma rápida ampliação do market share, ou para trazer produtos e serviços complementares. O acordo dependerá muito do modelo societário, da posição de cada sócio, como será a deliberação no âmbito da assembleia geral e como funcionará as duas operações em um único modelo de gestão. As diferenças culturais afloram, podendo criar barreiras entre as atividades ou trazer dificuldades nos processos de monitoramento e avaliação de desempenho. É comum imaginar ganhos de sinergia, mas a realidade pode se mostrar menos exequível.

Private equity – receber um aporte traz a possibilidade de se acelerar o crescimento, muitas vezes limitado ao apetite dos sócios ou à viabilidade de alavancagem do negócio. De imediato, ocorrerá uma mudança substancial no âmbito da alta administração.

Tomadas de decisões e o monitoramento dos resultados tendem a mudar com novas práticas de governança corporativa, com foco na avaliação de indicadores de desempenho operacional, econômico e financeiro, em bases bastante técnicas, não raro conflitando com a maneira como os sócios-fundadores lidaram até então.

Caso a alternativa passe por consolidação de mercado, com a aquisição de uma outra empresa, incluem-se os desafios citados anteriormente. O investidor sempre tem uma janela para um processo de saída da sociedade, o que deve ficar claro nos planos de crescimento e rentabilização da companhia.

Abrir o capital na Bolsa – caminho com mudanças mais profundas nas empresas, seja pela estrutura mais sofisticada de governança e gestão, como também dos sistemas de informações que reportarão ao mercado. Exige um grande desprendimento dos sócios-fundadores, pois a empresa estará sujeita a análises frias e baseadas em números e perspectivas de mercado, nem sempre agradáveis aos ouvidos de quem cuida da empresa como um ente da família. 

Uma recomendação aos empresários e administradores é a de começar, imediatamente, um trabalho de melhoria das práticas de governança e gestão, alinhada ao futuro que se busca alcançar. Cada uma das alternativas apresentadas traz muitas possibilidades de ganhos, mas também muitos riscos inerentes aos processos de implantação e consolidação da escolha que podem custar muito caro às empresas que não se prepararam adequadamente para esta nova realidade.

Foto: Divulgação

 

 

* Luiz Marcatti é sócio e presidente da MESA Corporate Governance

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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