Opinião

Além do bem e do mal

“Fomentar o ódio na campanha eleitoral é contraproducente, cabendo ao partido político acompanhar o comportamento do seu candidato durante as eleições, sem prejuízo da fiscalização pelas autoridades constituídas no âmbito da justiça eleitoral”

Adelmo Pinho
29/08/22 às 10h27

Votar e ser votado são pressupostos de um estado democrático de direito. A eleição é considerada democrática quando os candidatos a exercer mandatos políticos são eleitos diretamente pelo povo. Candidatos possuem responsabilidade com a paz social, devem obediência à lei e têm a obrigação de prestar informações verídicas aos eleitores.

Na campanha política o candidato deve expor ideias e propostas de forma inteligente e construtiva, sem ofensa pessoal ao adversário, tratando-se de oportunidade para a apresentação de projetos ou programas de governo (candidato a cargo eletivo no Poder Executivo), para que depois o eleitor possa cobrar o seu cumprimento.

Espera-se dos candidatos nas próximas eleições propostas concretas, para dar mais segurança ao eleitor para a escolha certa. Fomentar o ódio na campanha eleitoral é contraproducente, cabendo ao partido político acompanhar o  “comportamento” do seu candidato durante as eleições, sem prejuízo da fiscalização pelas autoridades constituídas no âmbito da justiça eleitoral.

A postura equilibrada e sensata do candidato é sempre levada em conta pelo eleitor; o contrário também. Discursos populistas e propostas vazias somente desprestigiam o candidato. Debates acalorados fazem parte do jogo da política e da democracia, mas a preservação da ética e a obediência à lei são inafastáveis.

Deve ser evitada na campanha política a adoção maniqueísta da dualidade “bem” e “mal” , como um candidato se intitular “santo” e atribuir ao adversário a condição de “diabo”. Espera-se, assim, dos candidatos, boas propostas para o bem da sociedade e não a formação de arenas, com a exposição pública de ofensas recíprocas.

O Brasil precisa avançar no cenário mundial através do crescimento econômico, diminuindo, assim, o desemprego e a desigualdade social. Por tudo isso, é importante e necessário se informar, votar bem e eleger bons representantes, sem prejuízo da adoção pelo eleito de políticas públicas adequadas, de combater a corrupção e limitar os gastos públicos (teto de gastos).

Consigne-se, por fim, que a democracia não se restringe aos atos de votar e ser votado. Além das eleições, a efetivação da democracia exige participação popular na constituição do poder e acesso a liberdade e justiça social.

Foto: Arquivo

 

 

 

Adelmo Pinho é promotor de Justiça do Tribunal do Júri em Araçatuba 

 

 

 

 

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