Qualquer semelhança não é mera coincidência. O título faz referência ao ensinamento cristão “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Mas, numa época na qual tanto se proclama a falta de “empatia”, gostaria de propor um passo adiante na reflexão.
Outra mensagem relacionada é a que recomenda fazer ao próximo aquilo que gostaria que fizessem para você.
São duas ideias muito importantes para o exercício de sair da preocupação egocêntrica e egoísta com a gente mesmo e passar a olhar para o outro. Se colocar no lugar da pessoa. Tentar entender suas atitudes e procurar fazer o bem a ela.
No entanto, é aí que sugiro dar maior abrangência a esta ideia. Nem sempre fazer ao próximo o que a gente gostaria que fizessem para nós é a melhor atitude. Podemos ir além: procurar entender este próximo e se colocar no lugar dele de tal modo que possamos agir da maneira que ele gostaria que agíssemos com ele. Sem impor aquilo que a gente acha que é melhor. Somos diferentes todos nós e precisamos respeitar essa diversidade.
Recentemente, vimos o jornalista Rodrigo Bocardi cometer o que muitos classificaram em redes sociais da internet como “racismo estrutural”. Durante uma passagem ao vivo na televisão aberta, Bocardi perguntou a um jovem negro se ele era um “pegador de bolinhas” em um clube esportivo da elite paulistana. O rapaz era, na verdade, um atleta do mesmo clube.
Podemos afirmar que todos temos nossos preconceitos. Vai depender do que fazemos com eles. Se à medida que surgem, nos dispomos a mudar, ok! A própria internet trouxe informações e posicionamentos tão variados que nos colocam de frente com nosso pior. E que bom isso ser possível.
Para alguns pode parecer que estamos retrocedendo nas conquistas contra preconceitos. Para outros, o “policiamento” em torno de temas relacionados trata-se de um "mimimi" cansativo. No entanto, somos levados a pensar sobre as “piadinhas inocentes” que diminuem e ridicularizaram mulheres e gays, por exemplo. Pessoas vítimas de gordofobia passam a ter voz e refletimos que identificar alguém como “o gordinho” pode fazer mal à pessoa.
A melhor atitude talvez esteja em saber como a pessoa se sente, como ela gostaria de ser tratada e, na medida de nossa doação ao outro, tentarmos agir de acordo com essa vontade.
O jovem vítima do possível racismo cometido por Bocardi se sentiu agredido? É claro que muitos fatores estão envolvidos. Ele pode estar tão acostumado com o racismo que não o identifica, por exemplo. Mas entendo como um passo adiante saber a necessidade do outro.
Se eu for fazer o que eu gostaria que fizessem para mim, talvez eu não compreenda o que o outro sente, pois não é o que eu sinto, não é a minha dor.
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