Opinião

Ambiente empresarial incerto impulsiona revisão de pautas dos Conselhos de Administração

"São três os pontos que apresentaram maior relevância e demandam atenção: riscos macroeconômicos; riscos políticos; efeitos das mudanças climáticas"

*Luiz Marcatti
02/09/21 às 14h14

Desde o início da crise provocada pela pandemia da covid-19, os Conselhos de Administração foram testados em seu papel e sua resiliência, a fim de manter as entregas requeridas pelo momento inusitado. Como e onde manter o foco? Em quais prioridades pôr energia e recursos? Quais os novos riscos e seus impactos nas empresas? Estas são algumas perguntas que passaram a constar nas pautas dos Conselhos país afora. 

Vivendo um cenário ainda incerto, com riscos de que a pandemia não desapareça no curto prazo, os Conselhos de Administração mais ativos e com visão estratégica estão revisando suas pautas. Em recente pesquisa global publicada pela Consultoria McKinsey, com cerca de 800 conselheiros e altos executivos, demonstrou-se que as companhias e os Conselhos com reconhecida evolução no atual ambiente atentam-se mais para os riscos externos. São três os pontos que apresentaram maior relevância e demandam atenção: riscos macroeconômicos; riscos políticos; efeitos das mudanças climáticas. 

Olhando para o Brasil, esses riscos se mostram igualmente preocupantes para o ambiente dos negócios. Os dois primeiros se misturam e se alimentam de forma a criarem um cenário de alta volatilidade e uma possível retração dos investimentos. O terceiro também já se mostra presente, seja pelo risco da falta de abastecimento de água, seja pelo custo da energia elétrica que já assombra empresas e população, além de alimentar o monstro da inflação. 

A pesquisa da McKinsey ressalta ainda outros temas relevantes, como desenvolvimento das competências dos colaboradores, diversidade da liderança corporativa, responsabilidade social corporativa e cibersegurança, que, a propósito, ainda temos muito a avançar por aqui nas pautas dos Conselhos. Estas questões, alinhadas às diretrizes estratégicas e a ações de retenção de um time coeso, comprometido e de alta performance, deveriam estar presentes ao longo do ano. 

Mais do que nunca fica evidente que, para uma atuação que traga impactos positivos, um bom Conselheiro contribui, não apenas com sua experiência passada, mas com sua visão de futuro e resiliência pessoal, para a longevidade do negócio. 

Foto: Divulgação

*Luiz Marcatti é sócio e presidente da MESA Corporate Governance.

Sobre a MESA

A MESA Corporate Governance é uma consultoria especializada em reestruturação e modernização de empresas de origem familiar ou multissocietárias, de capital fechado ou com ações listadas em bolsas de valores. É filiada às seguintes entidades e instituições: AMCHAM Brasil, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), International Corporate Governance Network (ICGN), Family Business Network (FBN) e National Association of Corporate Director (NACD).

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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