Dos inúmeros pensamentos e histórias cômicas, memoráveis e perspicicazes do velho escritor Ariano Suassuna, uma das que mais gosto é quando o mestre nos ensina:
"Eu sou muito contra as pessoas falarem mal dos outros pela frente. Acho isso de uma falta de educação danada. Constrange a quem ouve e constrange a quem fala. Custa nada a pessoa esperar o outro sair de perto para falar mal dela pelas costas".
Achei o pensamento interessante. Hoje em dia, em algumas situações específicas, qualquer pessoa que deseja demonstrar ter caráter, diz estufando o peito com um certo ar de nobreza: "O que eu tenho para falar eu falo na cara!"
Mas olhando pelos olhos de Suassuna, fico imaginando aquele homem que publicou 15 livros entre poesias e romances e mais 18 peças de teatro, mega ocupado escrevendo e elaborando características e perfis únicos para cada um de seus personagens, fora o trabalho que dá os ambientalizar numa época e cenário ora realista, ora ficcional, como em "O Romance d'A Pedra do Reino" , já que o teor literário do autor era regionalista, perdendo seu precioso tempo com a opinião de algum zé que resolve, por algum incomodo qualquer com o autor, vir falar na sua cara tudo o que tinha contra ele.
Imagina só que desperdício de tempo? Por isso entendo quando ele meio que diz: "quer falar mal de mim, pode falar pelas costas. Não ligo. Só não me atrapalhe".
Tem uma historinha maravilhosa que conta que o lobo, o urso e a raposa saíram juntos para caçar.
O resultado da caça foram 3 coelhos.
Na hora de dividir, o urso pergunta para o lobo: "Ei, lobo, como você acha que deve ficar a divisão destes coelhos?"
O lobo diz: "ora, se tem 3 coelhos e estamos em 3, cada um deve ficar com um coelho, ué".
O urso, sem pensar duas vezes, abre sua pavorosa boca e devora o lobo numa bocada só. Logo em seguida, ainda com pelos do lobo espalhados pela cara, se vira para a raposa e diz: "Ei, raposa, como vc acha que deve ficar a divisão destes coelhos?"
A raposa, sagaz, inteligente e, principalmente, assustada com o que acabou de ver, respondeu; "Coelho? Que coelho? Eu nem gosto de coelhos, amigo", e caiu fora!!!
Pois é, gente. As vezes, melhor do que estar com a razão é estar em paz.
Outro dia deu no jornal uma briga generalizada porque a filha de uma sei lá quem, falava mal da filha da vizinha, outra sei lá quem. A mãe de uma das meninas foi no portão da outra "resolver" a questão e o negócio tomou uma proporção tão grande, que foram todas parar na delegacia; a mulher perdeu o emprego e uma das filhas teve até que sair do colégio.
Conclusão: a dor de cabeça só aumentou!
O historiador Leandro Karnal diz que se a pessoa se conhece bem, ninguém consegue ter forças para atacá-la. Se uma pessoa realmente se conhece ninguém é capaz de ofendê-la. Ele brinca dizendo que quando é xingado de filho da p* no trânsito por alguém, ele tem que saber se esta pessoa está falando uma verdade ou mentira e nos 2 casos ele não precisa se ofender, pois os motivos são óbvios:
Se de fato sua mãe for uma p*, não há porque ficar ofendido, já que a pessoa apenas constatou uma verdade.
E se ela não for, também não há motivos para tal, logo que o que ele fala é tão somente uma mentira.
Karnal termina dizendo: "ataque é veneno e veneno só funciona se o tomamos".
Por fim... Meu caros, a vida é muito curta para perdermos tempo com baixaria e coisas tão pequenas. Por isso, se não gosta do meu jeito, da minha cara, do que penso ou como sou e quer falar mal de mim? Fale a vontade. Mas, por favor, fale pelas costas. Eu juro que não ligo!
