Opinião

As dores e alegrias de ser multitarefa

"Pelo contrário, nosso rendimento com tantas “portas abertas” diminui, tendemos a não terminar com qualidade tudo que começamos e isso ainda depõe contra a nossa saúde física e mental no longo prazo"

Ana Emília Yamashita*
02/06/22 às 20h00

Por muito tempo fomos condicionados a pensar que produtividade e performance estavam atreladas à capacidade que as pessoas desenvolviam de poder realizar muitas tarefas ao mesmo tempo. Porém, cada vez mais essa hipótese cai por terra, quando os estudos mostram que a capacidade de se dedicar com foco e atenção a cada tarefa é o que garante a qualidade e o resultado, pois o nosso cérebro só consegue se concentrar com plena atenção a um assunto por vez.

Ainda que sejamos multipotenciais, não nos confere alta produtividade com qualidade executar várias tarefas ao mesmo tempo. Pelo contrário, nosso rendimento com tantas “portas abertas” diminui, tendemos a não terminar com qualidade tudo que começamos e isso ainda depõe contra a nossa saúde física e mental no longo prazo. Pois esse alto estímulo de informações e tarefas podem nos deixar acelerados, desenvolvendo quadros de ansiedade que prejudicam nossa relação conosco, com os outros e nossa qualidade de vida.

Mas qual a solução para tentar minimizar todos esses efeitos negativos do excesso de informações e tarefas?

Primeiro, organização: entenda quais são as necessidades e prioridades em cada área, organize a agenda e rotina com intervalos de tempo reais para cada tarefa, comece por aquilo que precisa ser feito antes, depois pelo que demanda mais tempo e por último se livre das pequenas atividades, aquelas que quando você se organiza, consegue realizar várias delas ou até mesmo colocar em dia essa categoria.

É preciso entender que produtividade não está apenas relacionada à quantidade de ações realizadas, mas também à qualidade do que produzimos; é isso que nos confere a tão esperada alta performance, quando nos organizamos, entendemos nossa logística para a realização e conseguimos ter inteligência emocional para agir e poder dar conta das demandas do dia a dia.

Em seu livro “Essencialismo”, Greg Mckeown fala sobre as várias maneiras de identificar comportamentos que nos fazem perder tempo e sobre a dificuldade de não saber priorizar na hora de executar pode ir na contramão da eficiência. Enquanto, se ater ao que é essencial, sem se apegar ao perfeccionismo, pode nos levar a um outro nível na hora de executar suas atividades e atingir resultados.

É necessário entender que essa nova forma de pensar e agir depende de um processo.  Os efeitos serão sentidos ao caminhar e, por repetição, o cérebro se torna cada vez mais fluído na direção de entender suas necessidades, estabelecer prioridades, gerenciar as demandas que surgirem, promovendo ações focadas. Com treino modelamos a nossa forma de pensar e passamos a ter a nosso lado uma poderosa ferramenta no processo em busca da alta produtividade e performance.

Neste sentido, precisamos sempre ter a capacidade de olhar para as demandas estabelecendo condutas que nos permitam administrar nosso sistema interno que está cada vez mais sobrecarregado com tantas informações e afazeres. Sem uma análise, acerca dos resultados que buscamos, podemos nos perder em meio a tantas coisas que nos exigem atenção. Entender nossos limites e processos traz mais clareza sobre o que precisamos fazer para nos sentirmos bem, produtivos e realizados enquanto, muitas vezes, o mundo parece cair ao nosso redor.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Ana Emília Yamashita é mentora, coach e analista comportamental

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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