*Neila Storti Moterani tem 33 anos, é jornalista por formação e enófila por vocação.
Quantas vezes, ao comprar um vinho, você se deparou com a enormidade de opções de uvas, de regiões, safras e produtores diferentes? Malbec, merlot, Chile, Argentina, Itália. O que escolher?
Com essa quantidade de informações, é normal ficar inseguro na hora de selecionar o “vinho perfeito”. Quando não temos muito conhecimento, a compra do vinho, que deveria ser um momento de prazer, acaba se tornando estressante. As informações detalhadas na garrafa acabam assustando e as vezes até desistimos da compra por medo de errar. Nesta hora, uma forcinha de Baco, o Deus do vinho, seria bem-vinda.
Branco, tinto ou rosé? Se optar por vinho branco, experimente algum que leve a uva chardonnay, uma das uvas mais nobres para a produção do vinho branco, inclusive usada até na elaboração do champanhe. Se seu chardonnay passou pelo barril de carvalho, terá um sabor mais complexo e amanteigado. Caso não tenha passado, ele terá uma característica mais leve, mineral e fresca.
Decidiu começar por um tinto? Vamos a algumas opções; se quiser um tinto mais leve, escolha um pinot noir (essa, inclusive, é a minha uva). Eu simplesmente adoro! Quer um tinto intermediário, que não seja muito encorpado e nem muito leve? Escolha um cabernet sauvignon. Um vinho mais potente, bem encorpado, suculento, repleto de frutas? Leve um malbec ou um syrah. Uma dica: malbec vai muito bem com churrasco e até mesmo com hambúrguer.
Importante frisarmos que não existem verdades absolutas no mundo do vinho. Você vai perceber que um malbec argentino é totalmente diferente de um malbec francês - pouca gente sabe, mas a uva malbec vem do sudoeste da França.
Há ainda uma grande diferença entre os próprios malbecs argentinos. A região de Mendoza, por exemplo, tem diferentes características, dependendo se o vinho vem de Lujan de Cuyo ou Tupungato, regiões com características particulares na elaboração do malbec.
Como escolher? Essa é a melhor parte. Provando! Regiões mais frias produzem vinhos mais austeros, mais leves, menos frutados e com boa acidez. Regiões mais quentes produzem vinhos mais alcoólicos, mais frutados e encorpados.
Há pessoas que consomem sempre o mesmo vinho, do mesmo produtor ou de uma mesma região. Se eu puder te aconselhar, prove vinhos diferentes. Você encontrará uma gama de sabores inimagináveis. E essa descoberta do novo é fantástica. É um desperdício deixar de provar outros tipos de vinhos por conta do medo de errar.
Da próxima vez que comprar um vinho, faça a experiência; prove a mesma uva de uma outra região, de outro produtor ou escolha uma nova.
Encontramos sabores únicos em uma mesma uva produzida em locais e altitudes diferentes. Isso se deve ao método de produção e principalmente ao terroir (palavra francesa que designa uma extensão de terra cultivada), que influencia profundamente nas características do produto final, mas isso é assunto para nossa próxima coluna.