Cada vez mais comuns e disponíveis nos restaurantes e franquias de alimentação, o cardápio kids traz sempre opções não muito criativas nem tampouco nutritivas e saudáveis! Macarrão, bife, batata frita, nugets de frango e hambúrguer, além de conferirem muitas calorias aos baixinhos, consequentemente elevam os índices da obesidade infantojuvenil no mundo.
Ainda assim, se a criança recusar aquela refeição do cardápio, um leque de opções industrializadas como: bolachas, chocolates, salgadinhos, etc., serão prontamente oferecidas pelos garçons, a fim de que a fome da criança seja saciada e também a não interferência dela na refeição de seus pais.
O layout dos cardápios infantis também corroboram com a induzida escolha altamente calórica. As fotografias coloridas e brilhantes como a do queijo derretido sobre uma carne de hambúrguer é muito mais atrativa ao olhar pueril do que a do brócolis ou da couve-flor desbotados e sem graça. Sem contar com a semiótica das cores quentes do ambiente que aguçam ainda mais o apetite momentâneo.
A relação da criançada com a alimentação nem sempre é a das melhores e mais prazerosas da infância, haja vista a preferência que elas têm pelas brincadeiras nos espaços kids, a gastar um tempo presumido para sua alimentação.
É sempre um entrave na hora da refeição, a exigência que os pais precisam exercer nesta relação da criança com este ou aquele tipo de alimento, ou ainda para que a criança aprenda a comer sozinha.
Muitas vezes, os pais ou responsáveis perdem a paciência chegando a situações mais extremas, com palavras duras, broncas enérgicas, subornos descabidos, que nestes casos, só desfavorecem a formação do modo e prazer pela alimentação.
A lição de casa para os pais é a de não mimarem seus filhos principalmente durante as refeições e entender que a formação do paladar e do gosto pela comida é construída conjuntamente na hora da refeição.
Com a mesa posta e recheadas de estímulos e incentivo a tônica do momento é a experimentação. Tudo o que está servido ao prato, entende-se de forma consciente que o apetite da criança possa ser ali despertado, respeitando seu gosto e ensinando a cultura e o repertório alimentar de aromas, sabores, cores, formas e texturas.
Estudos científicos mais atuais apontam que a formação do paladar da criança se dá desde o período da amamentação, além dos quatro gostos básicos reconhecidos: o doce, o salgado, azedo e amargo há o umami, que significa “gosto saboroso e agradável” identificado como gosto residual suave e duradouro. As primeiras papinhas e sucos devem ser servidas sem adição de sal ou açúcar para que o infante conheça o sabor real e natural dos legumes, verduras, carnes ou frutas ampliando cada vez mais seu repertório de paladares desde cedo.
Outra estratégia usada pelos restaurantes é a apresentação lúdica dos pratos na elaboração de um empratamento divertido e colorido, para atrair o interesse das crianças, modelando bichinhos e carinhas do universo infantil.
Tanto a área da Nutrição como a da Gastronomia podem muito colaborar neste processo de educação alimentar dos pequeninos se incentivado por seus pais ou responsáveis.
Livros de receitas específicos para a alimentação dos bebês atualmente trazem uma diversidade de combinações nutricionalmente equilibradas e até com certo requinte gastronômico.
Oficinas de culinária, por exemplo, para os pequenos aprendizes tornam o fazer coisas apetitosas e saudáveis em uma deliciosa e divertida brincadeira ao se preparar receitas fáceis como: cupcakes, biscoitos e sanduíches naturais, sucos coloridos, etc.
“Ensine a criança no caminho em que deve andar...”, complementando o mandamento bíblico, ensine a criança também a: apreciar os diferentes sabores, sentir os diferentes aromas, conhecer diferentes culturas alimentares e quando forem adultos serão excelentes gourmets.
*Helerson de Almeida Balderramas é mestre em Turismo e Hotelaria; coordenador de curso de gastronomia e conselheiro municipal de Turismo de Araçatuba