Opinião

Cerveja é uma festa

Apaixonado por cervejas fala da relação da bebida com as festas

Fernando Risolia*
12/11/19 às 10h08

A cerveja está na boca do povo há mais de 10 mil anos. Acredita-se que a cerveja foi obra do esquecimento; um cesto de grãos foi deixado ao léu e à chuva, resultando, após o trabalho das leveduras, na cerveja. Foi um delicioso acaso.

A cerveja tem até uma deusa: a Ninkasi, que bebeu a “água cintilante” para “saciar o desejo” e “satisfazer o coração”.

Ao longo dos anos, os encontros passaram a ser regados à cerveja. Quadros foram pintados de pessoas celebrando com canecos e jarras de cerveja. As pessoas se alimentavam com cerveja para trabalhar nos portos, nos campos, nas fábricas. O único alimento dos monges na época de jejum era a cerveja. Ora et Labore (oração e trabalho), mas com cerveja. A cerveja como alimento ao corpo e à alma.

A cerveja é a bebida alcóolica mais tomada no mundo. No Brasil, a cerveja de massa fica em primeiro lugar e a cerveja artesanal é a preferida por 4% dos apreciadores da bebida. Há cinco anos era inexpressiva a participação da cerveja artesanal no mercado brasileiro.

Hoje, temos muitas pequenas e micros cervejarias instaladas no território brasileiro que são responsáveis pela produção das cervejas artesanais de muita qualidade e curiosidade. Cervejas com frutas, cerveja com maltes diversos, cerveja com café, com cacau, cerveja temperada; enfim, uma festa de cores e sabores brasileiros. Temos até a catharina sour, o único estilo brasileiro catalogado – é uma cerveja ácida e salgada, corpo baixo, com frutas tropicais. Uma delícia!

No Brasil, são diversos os bares e restaurantes especializados em cerveja artesanal que proporcionam incríveis experiencias sensoriais – brincando e harmonizando cervejas com pratos saborosos e incríveis. Destaca-se entre eles o Empório Alto de Pinheiros, ou simplesmente EAP, de São Paulo, com 44 bicos de cerveja on-tap e centenas de rótulos importados e brasileiros.

Como se vê, muito rapidamente, a cerveja é alimento e motivo para comemoração. A cerveja não tem lugar em ambiente ou situação triste. Sempre convoca as pessoas para festa, para o aconchego, para a troca de ideias. A cerveja é paz e comunhão.

*Fernando Risolia é advogado em Araçatuba e fascinado por cervejas. É formado em dois cursos de sommelier de cervejas e faz viagens cervejeiras.

"A cerveja tem até uma deusa: a Ninkasi, que bebeu a 'água cintilante' para 'saciar o desejo' e 'satisfazer o coração'" (Foto: Divulgação)
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