Opinião

Chegamos no limite

"O fato de ser livre a expressão de pensamento, não dá o direito a ninguém de fazer comentários ofensivos, usando palavras de baixo calão e principalmente de ofender a honra e até questionando a credibilidade e a competência dos profissionais que dedicam suas vidas para levar a informação a toda sociedade"

Editorial - Hojemais Araçatuba
03/05/20 às 22h30

Neste domingo, 3 de maio, quando se comemora o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Brasil viu um exemplo do quanto é importante que essa data seja amplamente divulgada e cada vez mais respeitada.

Profissionais de imprensa que cobriam uma manifestação na Capital Federal foram agredidos fisicamente por parte dos participantes que faziam um ato de apoio ao presidente da República, que nunca escondeu seu desapreço pelos órgãos de imprensa.

A data celebrada foi criada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em 1993. O ideal seria que ela não precisasse existir, pois foi instituída para chamar a atenção sobre a impunidade contra aqueles que perseguem os jornalistas por simplesmente exercerem suas funções. Isso é uma aberração.

Por outro lado, a data celebra o direito de todos os profissionais da mídia de investigar e publicar informações de forma livre.

O problema é que diariamente temos notícias de profissionais de comunicação que têm o direito do exercício pleno da profissão ferido de alguma forma.

O que preocupa é que a tentativa de controlar os meios de comunicação, conhecida como censura, é muito comum nos regimes ditatoriais não democráticos e, nos últimos tempos, vemos crescer no Brasil um tipo de movimento que apoia essa centralização do poder e o controle das informações. 

Não é preciso ir muito longe para darmos exemplos. O Hojemais Araçatuba convive diariamente com essa situação, ao se deparar com comentários em matérias publicadas, principalmente nas redes sociais, de pessoas que contestam as informações sem argumentos, apenas porque não concordam com elas.

O Hojemais Araçatuba sempre pautou e sempre pautará suas publicações em fontes oficiais, ouvindo profissionais de cada área e, sempre que preciso, ouvindo os dois lados e denunciando quando algo estiver errado, principalmente dando voz ao povo.

Ninguém é obrigado a concordar com tudo o que é publicado e discordar é um direito garantido a todos, ou seja, o direito da liberdade de expressão, que tanto defendemos. Inclusive, críticas construtivas são sempre bem-vindas e nos ajudam a formar um conteúdo cada vez melhor. Todos saem ganhando nessa troca, entretanto, o direito de cada um acaba quando passa a ferir o direito do outro.

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O fato de ser livre a expressão de pensamento não dá o direito a ninguém de fazer comentários ofensivos, usando palavras de baixo calão e principalmente de ofender a honra e até questionando a credibilidade e a competência dos profissionais que dedicam suas vidas para levar a informação a toda sociedade.

O jornalista é um profissional como qualquer outro, que não está fazendo nada além do que o seu trabalho. Como em todas as profissões, existem maus jornalistas, mas a imprensa séria precisa ser respeitada e apoaiada, e os maus exemplos precisam ser denunciados aos órgãos legais, como ocorre em qualquer categoria profissional, para que sejam julgados e punidos.

A força não é o caminho. Impor a própria opinião e agredir os jornalistas por publicar fatos contrários a uma forma de pensamento só gera ainda mais atrito e está levando a um caminho perigoso, a violência e a intolerância.

Chegamos no limite. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso disse, neste domingo, em entrevista à GloboNews, que as agressões ocorridas em Brasília são criminosas, precisam ser investigadas e os responsáveis devem ser processados e condenados por lesão corporal.

Que os órgãos de polícia e Justiça estejam atentos a esse movimento para garantir que quem venha a agir dessa maneira seja punido.

Mas acima de tudo, que as pessoas aprendam a respeitar o quarto poder (expressão utilizada para os meios de comunicação) e principalmente os profissionais de imprensa, que são pessoas como qualquer outra, que sempre estarão à disposição da sociedade, em qualquer situação, muitas vezes arriscando a própria vida, para que todos sejam bem informados e possam formar a própria opinião, mas sempre respeitando os pensamentos contrários. 

Viva a liberdade de imprensa!

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