Commodities, IGPM, IPCA, Banco Central, volatilidade, spread, inflação, deflação, estagnação, taxa Selic, caderneta de poupança, cartão de crédito, empréstimo consignado, cheque especial, juros e o pulso ainda pulsa.
Paráfrases à parte (“O pulso”, música dos Titãs), acredito que alguns dos termos acima, empregados por economistas não devem fazer parte do cotidiano da maioria do leitor. Em contrapartida termos como inflação, empréstimo consignado, cartão de crédito, juros; além de fazer parte do nosso cotidiano, literalmente, a maioria do leitor sente no bolso o efeito desses termos ao pagar suas contas no final de do mês.
Entretanto, é indispensável entender e aprender, não somente os termos estudados em Ciências Econômicas, como também empregá-los em nosso cotidiano. Isto se faz necessário para termos uma boa relação com o nosso dinheiro, conquistado mediante muito esforço e suor.
Brasileiros, temos um histórico atávico do mau uso do dinheiro, basta ver o elevado índice de endividamento e inadimplência contraídos por nós. E, o primeiro passo, para ter essa boa relação com o dinheiro é por meio de educação financeira.
Entre os anos de 2008 e 2010, a SEB (Secretaria de Educação Básica) do Ministério da Educação, presidiu o GAP (Grupo de Apoio Pedagógico), que realizou ações resultando num projeto-piloto que levou educação financeira à rede pública de ensino médio a vários estados, entre eles, o estado de São Paulo. Conforme organizadores, a experiência de se informar sobre finanças produziu mudanças significativas na vida dos jovens estudantes e de suas famílias.
Segundo a professora Alzira de Oliveira Reis e Silva, especialista em educação financeira da AEF (Associação de Educação Financeira do Brasil), o projeto-piloto “trabalhou um conjunto de comportamentos para que jovens façam escolhas mais conscientes, se preparando para um futuro mais tranquilo”.
Na época, analistas do Banco Mundial constataram o aumento de 1% do nível de poupança dos jovens que passaram pelo programa; 21% a mais dos alunos fazem uma lista dos gastos todos os meses; 4% a mais dos alunos negociam os preços e meios de pagamento ao realizarem uma compra.
As famílias também foram beneficiadas, pois temas como orçamento, planejamento e taxas bancários entraram na pauta das conversas e decisões conjuntas de gastos por causa dos deveres de casa. O relatório conclui, ainda, que esse resultado indica que jovens educados financeiramente podem contribuir para o crescimento de 1% do PIB do Brasil.
Apesar da previsão legal que vigora desde o ano de 2020, que permite aos jovens a opção entre vários itinerários formativos, entre eles, a inclusão da Educação Financeira através da BNCC (Base Nacional Curricular Comum), o tema não prosperou. Ao contrário, segundo o sociólogo Cesar Callegari, os direitos educacionais dos estudantes vêm sendo rebaixados, como a redução da parte comum dos currículos para 1.800 horas, eliminando conteúdos importantes de várias disciplinas.
Ressaltando que a função da escola vai muito além do ensino de língua portuguesa, matemática e demais áreas; informações sobre cidadania financeira é primordial para o crescimento do país, principalmente quando aspiramos ser grandes.
