Apesar de o nosso cérebro ter centenas de bilhões de neurônios e de realizar mais de 100 trilhões de conexões, o ser humano utiliza apenas uma pequena parte desse sofisticado e complexo sistema para a parte cognitiva. Mesmo assim, o estudo para a compreensão da mente humana é um dos ramos da ciência que mais avança nos dias de hoje. Sem a pretensão de esgotar o assunto, veja algumas curiosidades sobre a nossa mente que irão lhe surpreender e até lhe ajudar em situações críticas.
Ela não sabe o que é certo ou errado. A nossa mente é um terreno fértil, mas você só colhe dela o que plantar. Ela trabalha exclusivamente com as informações com as quais você a municia. Aí se firma um dos pilares da positividade. Não se trata de simplesmente pensar positivo e assim conseguir tudo o que quiser, como preconizou um grande best seller do final do século passado. Pensar positivo é apenas uma parte (fundamental) do processo.
Positividade não exclui a necessidade de competências, planejamento, disciplina, foco. Mas se você eventualmente alimentar a sua mente com algum projeto específico, de vingança, por exemplo, ela tenderá a analisar vários outros contextos tentando encontrar neles a necessidade de vingança. Mais ainda: tentará encontrar nas atitudes dos outros também o desejo de vingança. Por fim, a sua mente tenderá a funcionar baseado nesse viés.
Tome cuidado com a informação que você fornece à sua mente, pois isto fará, com certeza, toda a diferença sobre a sua forma de compreender e viver o mundo.
Nossa mente acredita naquilo que ela quer você acredite. Se, por exemplo, você desconfiar seriamente que o seu namorado a está traindo, sua mente irá “encontrar” mais e mais evidências de que isso esteja ocorrendo, mesmo que isso seja absolutamente falso. Importante citar que as "evidências" não se mantêm sobre um criterioso crivo analítico. Mas isso não importa: satisfaz a nossa necessidade de dar credibilidade àquilo que desconfiamos/acreditamos. Atente que isso ocorre muito, e em muitas áreas das nossas vidas.
Ela tentará fazer com que você não mude. Segundo Freud, a nossa psique trava, a todo momento, uma hercúlea luta para manter o nosso equilíbrio e a nossa sanidade mental, utilizando-se de várias estratégias para isso. Essa tarefa torna-se muito mais fácil quando não ocorrem mudanças significativas no nosso mundo e na nossa forma de agir. As razões são de fácil compreensão: se tudo continuar como está, nossa mente minimamente já antevê o que vai acontecer e por isso sabe lidar com as prováveis situações que surgirão. Então, quando você decidir dar rumos significativamente diferentes à sua vida, num primeiro momento sua mente se utilizará de várias estratégias para você desistir dessa ideia.
Coisas como "é arriscado", "fulano já tentou e se lascou", "e se não der certo?", e inúmeros outros argumentos surgirão a todo momento em sua cabeça te sugerindo que a melhor alternativa é deixar as coisas como estão, por piores que estejam. É por isso que muita gente mergulha em zonas de conforto intermináveis, que nada têm de positivas, e, ao invés de mudarem de vida, vão criando um jeitinho de se adaptarem a situações desfavoráveis.
Só gerará mudanças se houver desconforto. Se tudo estiver às mil maravilhas, não há justificativa para mudar. Vale retornar à ideia do tópico anterior: ela (mente) tentará fazer com que você não mude. Na maioria dos casos, os desconfortos serão contornados com pequenas adaptações para que você se acostume a eles. A sua mente terá motivação para a implantação de mudanças quando novas metas forem desconfortáveis, ou seja, que sejam desafiadoras, atingíveis e com razoável utilização de tempo para ser concretizada. Nesse caso, uma nova maneira de pensar (mind set) se faz necessário, e a mudança acontece.
Ela tem uma tremenda capacidade de evolução. Você já deve ter ouvido falar de casos de acidentes nos quais alguém sofreu danos cerebrais graves que trouxeram, como consequência, comprometimentos na parte motora, e que, depois de algum tempo, esse comprometimento foi revertido. Trata-se da famosa plasticidade da mente, um dos mais importantes e recentes descobertas realizados pela neurociência. A plasticidade neural ou neuro plasticidade, permite que neurônios se regenerem tanto anatomicamente quanto funcionalmente, formando novas conexões sinápticas, dando ao cérebro a capacidade de se recuperar e se reestruturar.
Quando se fala de processos cognitivos, a nossa mente, desde que devidamente estimulada, consegue reorganizar os conhecimentos existentes, dando margem a análises e compreensões que antes não existiam. Já percebeu que quando começamos nos aprofundar em algum conhecimento, temos a sensação de que quanto mais estudamos, mais percebemos o quanto existe para aprender? É a nossa mente se reestruturando para assimilar e acomodar os novos conteúdos, gerando condições para a ampliação dos mesmos. O inverso também é verdadeiro: quanto menos nos aprofundamos numa área ao qual temos razoável conhecimento, mais temos a sensação que “dominamos” o assunto.
E aí, conseguiu identificar em você algumas dessas formas de funcionamento da mente em você mesmo? Que tal então transformar esse conhecimento em resultados focados para a mudança que você precisa em sua vida?
