Opinião

Colapso iminente da civilização industrial

"Com o auxílio de modelos matemáticos, o MIT chegou à conclusão de que o planeta Terra não suportaria o crescimento populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da poluição — mesmo tendo em conta o avanço tecnológico"

Cássio Betine*
08/08/21 às 18h30

Pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), em conjunto com outros institutos europeus, retomaram um estudo realizado na década de 70 – do século passado -, que tratava sobre os limites do crescimento industrial e suas consequências no mundo.

A conclusão do estudo naquela data era que em 2040 a civilização industrial chegaria ao seu limite, ocasionando um gigantesco caos global, onde os recursos naturais se tornariam tão escassos que qualquer crescimento econômico adicional se tornaria praticamente impossível, e o bem estar social despencaria totalmente. 

Assim, os pesquisadores da atualidade resolveram verificar se as projeções daquele estudo estavam de fato acontecendo, comparando algumas variáveis atuais do mundo, entre elas: o tamanho da população, as taxas de fertilidade e mortalidade, os níveis de poluição, a produção de alimentos e a produção industrial em si. 

Eles chegaram à conclusão que sim, a civilização industrial realmente caminha para seu colapso. E isso significa que as consequências previstas podem de fato acontecer, caso as prioridades da sociedade não mudem. 

(Foto: Vitaly Vlasov/Divulgação)

Segundo Gaya Herrington, pesquisadora de sustentabilidade e análise dinâmica de sistemas da consultoria KPMG , uma mudança de valores e políticas sociais e econômicas são necessárias urgentemente, tais como: o controle total de natalidade das famílias do mundo todo; a limitação deliberada da produção industrial e a priorização de serviços nas áreas da saúde e na educação.

Com o auxílio de modelos matemáticos, o MIT chegou à conclusão de que o planeta Terra não suportaria o crescimento populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da poluição — mesmo tendo em conta o avanço tecnológico. 

Segundo o professor José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e docente titular do mestrado e doutorado em população, território e estatísticas públicas da Escola Nacional de Ciências da Unicamp, “a civilização urbano-industrial, energizada pelos combustíveis fósseis, vive sua fase de plenitude após 250 anos do início do seu ciclo ascendente. Nunca na história da humanidade o progresso econômico e social foi tão grande.”

Por outro lado, temos grandes avanços tecnológicos na produção de alimentos por exemplo, como carne de laboratório, que é produzida através do cultivo de células, eliminando a necessidade da criação e abate de animais. E também a exploração do espaço e de outros planetas, que têm (também) como objetivo mover indústrias poluentes e até populações para operarem e viverem estações espaciais.

Se isso parece estranho ou quase improvável, basta compararmos a evolução da ciência e tecnologia dos últimos 100 anos com a evolução ocorrida nos dois milênios da existência, digamos, civilizada da raça humana.

*Cássio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo comunicação.

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