Opinião

Como manter uma empresa viável mesmo com baixa lucratividade?

"A lucratividade, também conhecida como margem de lucro, é um indicador de resultado, e representa o que fica para a empresa, após deduzidos das vendas, todos os custos e despesas do período"

Éderson Leandro Rigon*
21/12/21 às 19h40

Além da concorrência, períodos de alta inflação como o que estamos passando, tendem a afetar a lucratividade das empresas. Além disso, um bom volume de vendas não é capaz de garantir que uma empresa seja lucrativa, assim como o fato de uma empresa ser lucrativa, não garante estabilidade financeira. É sempre bom lembrar que a análise isolada dos números não proporcionará segurança e clareza sobre a real situação da empresa, pois mais importante do que os números, é o que eles representam.

Dente as informações que precisam ser corretamente apuradas e interpretadas, estão a lucratividade e a rentabilidade. Embora os dois indicadores estejam estreitamente relacionados, é possível uma baixa lucratividade com boa rentabilidade, e vice-versa.

A lucratividade, também conhecida como margem de lucro, é um indicador de resultado, e representa o que fica para a empresa, após deduzidos das vendas, todos os custos e despesas do período. É uma informação extraída da demonstração de resultados, e para sua correta interpretação, é preciso que todos os custos e despesas sejam corretamente mensurados. É importante lembrar que a lucratividade da empresa não está relacionada ao volume de dinheiro disponível no caixa.

Já a rentabilidade é um indicador de retorno do investimento e na prática essa informação é que determina se a empresa é viável ou não. Para a correta apuração e interpretação da rentabilidade, é preciso lembrar que o conceito de investimento vai além dos gastos iniciais que os sócios disponibilizaram para colocar a empresa em atividade. Os estoques, por exemplo, representam uma espécie de investimento cuja expectativa é que proporcione uma rentabilidade satisfatória em relação às outras opções em que a empresa teria para aplicar o dinheiro.

Para que haja uma boa rentabilidade sobre o estoque, por exemplo, é preciso uma combinação de dois fatores: lucratividade e volume de vendas. Como exemplo hipotético, uma empresa que deseja, em determinado mês, ter uma rentabilidade de 15% sobre os estoques, precisa considerar a lucratividade e o volume de vendas no mês.

Caso a lucratividade seja afetada, é preciso pensar em alternativas para aumentar o volume de vendas para que a rentabilidade seja mantida. Exemplo: determinada empresa comercializa um produto, cuja lucratividade é de 15%, e esse produto é vendido uma vez por mês. Logo, a rentabilidade do produto é de 15% (15% de lucro x 1,0 de giro de vendas). Caso por algum motivo a lucratividade desse produto tenha que ser reduzida, por exemplo, para 7,5%, porém, a empresa consiga vender o produto duas vezes por mês, a rentabilidade continuará em 15% (7,5% de lucro x 2,0 de giro de vendas).

O exemplo acima ilustra que em momentos de margem de baixa lucratividade, é preciso pensar em estratégias para que o volume de vendas consiga garantir a rentabilidade e a viabilidade do negócio. O segredo é sempre analisar vários cenários e interpretar uma junção de fatores para que as melhores decisões sejam tomadas. Para isso é necessário que as informações contábeis e financeiras estejam corretamente elaboradas. 

Por fim, boas estratégias de vendas devem estar atreladas ao relacionamento com o cliente. Entender de que forma um produto ou serviço suprirá as necessidades dos clientes, vai além da análise financeira, porém, está diretamente relacionado a uma boa rentabilidade.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Éderson Leandro Rigon é mestre em contabilidade e professor universitário em Araçatuba.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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