Opinião

Como os golpes evoluem junto com a tecnologia

"A coisa pode ficar bem mais complexa"

Cassio Betine
19/04/26 às 10h25
Imagem freepik

Se tem uma coisa que nunca muda é o fato de que, conforme novas tecnologias aparecem, os golpes também dão um jeito de surgir. Isso sempre foi assim. Quando o telefone fixo começou a se popularizar, já tinha gente ligando para casas fingindo ser um parente em apuros, pedindo dinheiro urgente.

Mais tarde, vieram os falsos funcionários de banco que ligavam pedindo dados sigilosos. Com a chegada da internet, os e-mails de “phishing” se tornaram febre: mensagens cheias de aparência oficial, mas criadas apenas para roubar senhas e informações financeiras - e já tinha muita gente caindo que nem pato nessas conversas.

Hoje, o cenário é bem mais sofisticado. A tal inteligência artificial elevou os golpes a um novo nível. Ferramentas de IA conseguem gerar textos impecáveis, sem erros, que parecem comunicações oficiais. Com poucos segundos de áudio retirados de redes sociais, criminosos clonam vozes e mandam mensagens desesperadas, simulando acidentes ou emergências para induzir familiares a transferirem dinheiro.

Os deepfakes criam vídeos falsos de autoridades anunciando supostas mudanças em regras de pagamento, como no caso de golpes envolvendo o Pix. Tudo isso é feito com uma precisão assustadora, explorando não apenas falhas técnicas, mas principalmente o lado emocional das vítimas.

E como os hackers fazem isso? Eles conseguem acesso de várias formas: muitas vezes, eles se aproveitam de dados vazados em grandes ataques a empresas, cruzam essas informações com perfis públicos em redes sociais e montam mensagens hiperpersonalizadas. Outras vezes, usam automação para disparar milhares de abordagens em segundos, aumentando a chance de algum pato cair na armadilha.

Há ainda os golpes de falsas vagas de emprego, em que chatbots conduzem entrevistas e pedem “taxas simbólicas” para participação em processos seletivos. Tudo isso é possível porque a IA permite escalar e personalizar fraudes como nunca antes. Mas veja, isso não é culpa das IAs, é de quem as usa e principalmente, de quem cai no “conto do vigário”. A diferença é só a tecnologia.

Agora, imagina só no futuro, digamos, mais digital ainda. A coisa pode ficar bem mais complexa. Robôs e inteligências artificiais cada vez mais avançadas se passando infiltrando nas empresas, manipulando decisões estratégicas, ou robôs domésticos programados para coletar informações privadas sem que ninguém perceba.

Teve até um país que não quis “ganhar” carros autônomos de uma fabricante chinesa, como medo da “generosidade” ser uma espécie de Cavalo de Tróia. A linha entre utilidade e ameaça se torna cada vez mais tênue.

Mas há formas de se proteger. O primeiro passo é cultivar uma desconfiança saudável: não agir apenas pela emoção diante de pedidos urgentes – sei que é difícil, mas não é impossível, não é mesmo! Confirmar informações por outros canais, combinar palavras-chave com familiares para situações de emergência, manter sistemas e aplicativos atualizados e, principalmente, desenvolver alto senso crítico – ou seja, ser muito desconfiado.

Respirar fundo e pensar por alguns segundos antes de tomar uma decisão pode ser a diferença entre cair ou não em uma fraude e perder uma grana.

No fim das contas, a história mostra que golpes sempre acompanharam a evolução tecnológica. A diferença é que, com a evolução das tecnologias, eles estão ficando cada vez mais convincentes e difíceis de detectar.

Então, cabe a nós, humanos sentimentais, aprendermos a reconhecer os sinais, compartilhar conhecimento e criar hábitos de segurança para não sermos vítimas desse tipo de golpe que sempre existiu e sempre vai existir.

Foto: Divulgação

Cassio Betine: Pós-graduado em Tecnologias da Aprendizagem, Bacharel em Artes e Desenho Industrial. Coordenador e Mentor de Negócios e Eventos. Autor de livros, artigos e produtor de conteúdos diários sobre Tecnologia, Inovação e Comportamento. É empreendedor em outros negócios e fundador da F7Digitall.com – Tecnologia & Comunicação

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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