Opinião

Contas hackeadas no Twitter: cuidado para não ser o próximo alvo

"Uma quantidade imensa de contas é invadida porque o próprio usuário fornece seus dados “de bandeja” para hackers, geralmente em sites ou aplicativos que prometem aumentar o número de seguidores (...)"

Caio Cintra*
13/12/22 às 12h05

Ontem (12/12), alguns jogadores e ex-jogadores do time do Flamengo tiveram suas contas do Twitter hackeadas, passando a postar mensagens com conteúdo ofensivos e informando, falsamente, suas transferências para outros clubes. Esse fato acende um alerta: estamos seguros na internet? Como evitar esse tipo de problema?

Muito embora contas com grande quantidade de seguidores, de pessoas famosas e com maior visibilidade, sejam os alvos preferidos dos criminosos, usuários anônimos que utilizam sua conta apenas para postagens pessoais e contato com a família e amigos também podem ser alvos de ataques, situação que geralmente causa desconfortos e mal-entendidos. 

Como sempre digo, não há solução milagrosa para o problema. Entretanto, algumas medidas podem aumentar, e muito, o nível de segurança da conta, diminuindo as chances de que você se torne o próximo alvo.

A primeira dica é sempre utilizar a autenticação em duas etapas (também conhecida como duplo fator de autenticação), com ela, para que se faça o login na conta é necessário inserir um código enviado pela rede social através de outra forma de contato, como o SMS ou e-mail, por exemplo. Embora grande parte dos usuários justifique que não utilizam a proteção pela falta de praticidade, a medida representa um grande aumento no nível de segurança.

Na criação de senhas, é importante evitar a utilização de combinações óbvias, como nomes, placas de veículos ou datas importantes para você. Grande parte dos ataques bem-sucedidos ocorre pela tentativa de combinação desse tipo de informação. É importante ainda evitar a utilização de carácteres sequenciais, como “1234”.

Também é válido dizer que o login e a senha devem ser inseridos apenas no ambiente da própria rede social. Uma quantidade imensa de contas é invadida porque o próprio usuário fornece seus dados “de bandeja” para hackers, geralmente em sites ou aplicativos que prometem aumentar o número de seguidores ou poder ver quem deixou de seguir.

Por fim, é importante manter o sistema atualizado, com uma boa proteção de antivírus (isso não significa que seja necessária a contratação de programas caros, o próprio antivírus do Windows oferece um bom nível de proteção, se bem configurado).

Com esses passos básicos, que servem para qualquer rede social, você dificultará a vida de invasores e poderá navegar mais tranquilo.

(Foto: Arquivo pessoal)

Caio Cintra é advogado atuante na área de segurança cibernética, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados pela Escola Brasileira de Direito, e co-autor do livro LGPD x Campanhas Eleitorais, publicado pela Editora Thoth


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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