Opinião

Crer ou não crer, eis a questão!

'O que se percebe e preocupa na era contemporânea, é o ser humano, no auge de sua arrogância, “brincando de Deus”, colocando-se como o centro do universo (antropocentrismo)'

*Adelmo Pinho
06/06/21 às 09h41

O título pode lembrar a tragédia de Hamlet, de Willian Shakespeare, mas o assunto não é dramaturgia e sim o ser humano, a ciência e a fé. A ciência e a fé em regra não caminham juntas. A fé diz respeito ao metafísico (que transcende a natureza física das coisas), enquanto a ciência objetiva o que pode ser observado ou comprovado. O que a ciência demonstra ou comprova, deixa de ser fé, tornando-se real ou físico.

Desde a Revolução Cognitiva (70.000 anos atrás), o ser humano passou a acreditar em Deuses, Divindades e Mitos. O monoteísmo (crença num único Deus) é mais recente na história da humanidade que o politeísmo (crença em vários Deuses ou Divindades), sendo este adotado na antiguidade na Grécia, Roma e Egito.

Quanto a religiões monoteístas, por exemplo, o Budismo surgiu na Índia há 2,5 mil anos, o Cristianismo há 2 mil anos e o Islamismo há 1,4 mil anos.

O Cristianismo, em específico, possui bilhões de fiéis no mundo e é fundamentado nos ensinamentos de Jesus, de Nazaré (na época de Jesus não se tinha sobrenome e se adotava o nome da cidade de origem dos pais, no caso Nazaré), considerado o Cristo (Messias, o ungido), filho de Deus. Interessante é que Jesus não deixou nada escrito do seu punho, tal como o filósofo Ateniense Sócrates (IV, a.C.).

O Cristianismo pode ser dividido em Catolicismo, Protestantismo e Igreja Ortodoxa. A era cristã no ocidente se divide em antes (a.C.) e depois de Jesus Cristo (d.C.). Nesses 2.000 anos o Cristianismo se difundiu pelo mundo, incentivado no seu início pelo Imperador Romano Constantino (século IV, d.C.).

Foquemos a ciência. Charles Darwin, biólogo britânico, no século XIX, foi o autor da “Teoria da Evolução das Espécies” ou da “Seleção Natural” , sendo considerado para céticos como o homem que “matou ou abalou Deus” com sua teoria. Na visão deles (céticos), a teoria de Darwin estaria em conflito com a origem da humanidade, seja sob a ótica Cristã, ou mesmo de qualquer outra doutrina ou religião - ainda que Darwin tenha sido considerado para muitos um Cristão.

Um crítico severo ao Cristianismo, Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, numa de suas polêmicas obras, “ O Anticristo” (publicada em 1895), transmite, em síntese, a ideia que Jesus Cristo fora o único cristão e que “o Evangelho morreu na cruz”, além desse filósofo questionar a fé de outras doutrinas ou religiões nesse livro.

Somente para ilustrar, Adolf Hitler foi admirador e leitor de Nietzche. O tema em foco, por óbvio, é polêmico. A liberdade de crença é adotada oficialmente pela maioria dos países do mundo. É opção ou convencimento de cada um ser ateu (quem não acredita em Deus), agnóstico (quem questiona a certeza da existência de Deus) ou ter fé (quem tem a certeza de algo além do real ou físico, como Deus).

O que se percebe e preocupa na era contemporânea, é o ser humano, no auge de sua arrogância, “brincando de Deus”, colocando-se como o centro do universo (antropocentrismo). O sapiens (homem sábio) não mais aceita a sua condição terrena de simples mortal e deseja neste planeta a imortalidade, mesmo diante de sua pequenez, habitando num dos bilhões de planetas do Universo.

Não se contesta que o ser humano está em ascensão e deve evoluir mais através da ciência, já que, sem ela, não haveria cura para doenças, a longevidade humana e a qualidade de vida atual. O que chama a atenção, porém, é a presunção do ser humano em se intitular a figura central do infinito universo.

Será que algoritmos, no futuro, também invocarão essa condição, em detrimento do ser humano, seu criador? Blaise Pascal, filósofo do século XVII, nos serve de exemplo, e colocou na época o sapiens no seu devido lugar, quando disse: “O homem é um ser miserável, um nada do ponto de vista do infinito universo, um tudo do ponto de vista do nada, isto é, um meio-termo entre o nada e o tudo. Sua única esperança é Deus”.

Finalizando, marcante e esclarecedor o pensamento de São Tomás de Aquino, filósofo e frade italiano do século XIII: “Para alguém que tenha fé, nenhuma explicação é necessária. Para aquele sem fé, nenhuma explicação é possível”. 

Foto: Arquivo

 

 

 

 

* Adelmo Pinho é promotor de Justiça em Araçatuba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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