O título acima foi retirado da reflexão atribuída a Moisés, no Livro dos Salmos (90:11) sobre a celeridade com que a vida passa. E, talvez, essa incontrolável velocidade nunca tenha sido antes, tão experimentada como em nossos dias.
Eles estão passando rápido demais, as semanas, os meses, o ano, e assim, a vida passa rápido demais e nós voamos! Quem de nós já não ouviu na sua infância ou no frescor da sua juventude os mais velhos dizendo: “Sabe filho, a vida passa depressa!”. E nós, achávamos que não era bem assim, afinal, tínhamos uma vida inteira pela frente, embasados na tola arrogância de que seríamos quase que eternos.
Porém, hoje, ao atingirmos certa idade e principalmente uma subsequente maturidade que os anos nos trazem, sabemos muito bem que a vida passa e nós vamos embora, e fica tudo aqui: os planos a longo prazo, as tarefas agendadas para a semana, as dívidas contraídas, as parcelas do carro novo que compramos por status, etc. Às vezes, vamos tão rapidamente embora que nem dá tempo de recolher as roupas do varal, tirar a comida da geladeira, lavar as louças que ficaram na pia. Toda aquela importância que achávamos que tínhamos e a arrogância de pensar que éramos insubstituíveis, tudo isso vai embora conosco. Mas, a vida continua sem a nossa presença. Aliás, nossa ausência não fará a menor diferença. As pessoas vão superando, vão seguindo suas rotinas e rapidamente somos substituídos, se duvidar, já no dia seguinte, seja naquele cargo imponente que ostentávamos ou até mesmo naquele lugar especial que ocupávamos na vida de algumas pessoas. Tudo se esvai, evapora-se num piscar de olhos, e aquilo que nem emprestávamos, agora será doado ou jogado fora.
Sim! A vida passa e o tempo voa, e o pior é que, ocupamos ele de maneira tão irresponsável e medíocre, que perdemos boa parte dele com nossas grosserias, mágoas, ressentimentos, brigas infantis, infidelidades, deslealdades, egoísmo, avareza, orgulho, etc.
Mas, ainda que alguém nos alerte sobre a brevidade da vida, continuamos impávidos em nosso pensamento prepotente achando que nunca (ou não tão cedo) iremos embora. Afinal, quem vive pensando em morrer? Porém, talvez, seria mais sábio pensar na morte, para poder VIVER melhor. Meu pai (hoje beirando os 99 anos) já me dizia há tempos: “Precisamos pensar uma vez ao dia na morte, para assim, valorizar cada dia da vida”.
Fato é que, ao nascermos, iniciamos essa viagem, essa jornada fantástica, porém, veloz, rumo ao fim,
chamada vida. E há quem ainda queira viver mais depressa. Necessária, nesse momento, a lembrança da letra do grande compositor Almir Sater que diz:
“Ando devagar porque já tive pressa (...) Penso que
cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente (...) Todo mundo ama um dia, todo mundo chora, um dia a gente chega e no outro vai embora...”
Sim, a brevidade da vida é um fato! Desdenhar disso é perdê-la ainda mais rapidamente.
Não trago essa reflexão para causar qualquer sentimento depressivo (já temos muitos motivos para nos deprimir), mas sim, como um alerta para aqueles que ainda desejam e podem viver CADA DIA melhor.
Como disse Horácio poeta latino (65-08 a.C.) ao exortar a sua amiga Leuconoe a aproveitar o presente, antes que este seja passado, pois
a vida é breve, a beleza perecível e a morte uma certeza
. Ele disse:
“Trata de colher o dia de hoje (carpe diem), que nunca o de amanhã merece confiança”.
