É indubitável o papel preponderante da educação para a humanização do indivíduo, bem como para os avanços científicos e tecnológicos. A condição humana se moderniza e avança por meio de mais conhecimentos relacionados à saúde, à comunicação, à mobilidade, às condições de vida, às habilidades físico-motoras, à produtividade, dentre outros acontecimentos evolutivos que são centrais para o progresso social e, por conseguinte, o desenvolvimento humano.
As transformações e os progressos da humanidade se realizam, sobretudo, a partir das práticas educativas. A educação, portanto, é fundamental para a formação e o desenvolvimento cultural, social, político e econômico da sociedade. Para Paulo Freire (1921-1997), como os seres humanos são os verdadeiros agentes construtores da história, os processos educativos deveriam ser viabilizados a toda a coletividade, de modo que os saberes escolares possam ser ferramentas para fomentar a transformação, de forma democrática e igualitária.
Na perspectiva Freireana, a educação como agente transformativo, inspira mudanças radicais na sociedade, na economia, nas relações humanas e na busca dos direitos, dos sonhos e da liberdade. Sendo assim, sem educação uma sociedade não evolui, tampouco se transforma.
Já na visão de Aristóteles (384 A.C. - 322 A.C.), a felicidade, ou o bem-estar comum, é o cerne da educação, cujo principal papel é preparar o indivíduo para a vida coletiva em sociedade. Infere-se, assim, que a educação aristotélica está alicerçada na equânime condição de felicidade a todos os cidadãos da pólis. Para tanto, urge que se promova a construção de narrativas igualitárias e de uma intensa participação da comunidade, característica da educação transformadora.
No entanto, poucos têm acesso ao mundo desenvolvido e tecnológico emoldurado pela educação, pois há ações educativas pautadas numa vertente estagnada e eletiva, que não propiciam transformações para toda a coletividade. Pelo contrário, apenas reproduzem a realidade. No mais, corroboram para a manutenção do status quo e enrobustecem a abissal desigualdade social.
Consequentemente, na maioria das vezes, apenas os dominantes têm acesso a esse tipo de educação. Os oprimidos, que normalmente estão à margem da sociedade, pouco usufruem dos avanços que a educação propicia, pois não despendem de recursos financeiros para custear um tipo de educação que prima para que toda a coletividade possa usufruir dos progressos da humanidade.
