Opinião

Efeito inflacionário

"O que devemos nos atentar é que na mão do consumidor está o poder de mudar a demanda de qualquer produto"

Walter Roque Gonçalves*
19/11/21 às 15h43

Se para o consumidor as incertezas quanto aos aumentos de preços são grandes, imagine para o empresário! 

Aumentar o preço pode significar a perda clientes. Contudo se os aumentos dos custos da empresa não forem repassados ao consumidor final pode faltar caixa para as despesas básicas como água, luz, telefone, aluguel, salários, impostos.

Os negócios dependem de um jogo de equilíbrio e a queda na margem de lucro exige aumento no volume de vendas, o que nem sempre acontece. O fato é que cada empresa tem a sua própria equação para equilíbrio e, para isso, a margem de lucro possível e o volume de vendas ideal estarão sempre nos cálculos.

Estes cuidados com os custos e as suas respectivas lucratividades geram equações que nem sempre passam pelo aumento de vendas. Muitas vezes a queda da demanda pode ser compensada com margem de lucro maior, valendo mais que altos volumes de vendas com margens que não pagam ao menos os gastos mínimos da empresa.

O susto gerado pela pandemia em 2020 levou empresas pelo mundo todo a pisarem no freio na produção e com isto deixaram de entregar insumos que faltam até hoje nas mais variadas indústrias. O fornecimento aos poucos está sendo normalizado, contudo é um processo que se resolverá a médio e longo prazo. 

Com a oferta escassa de alguns insumos, os preços de produtos industrializados tendem a subir o que leva ao efeito inflacionários em cascata para o comércio em geral e para o consumidor final.

Enquanto alguns estão pensando em repassar os custos para os consumidores outros já o fizeram. Se o empresário identifica que a procura é maior do que a oferta o preço tende a subir naturalmente, mas existem aqueles que seguram seus estoques para ganhar na alta, ou seja, com especulação. 
A precificação correta é uma questão de sobrevivência nesta fase.

O que devemos nos atentar é que na mão do consumidor está o poder de mudar a demanda de qualquer produto e com isso refrear o aumento de preços. Para tanto é preciso pesquisar os preços e negociar como nunca. É a lei da oferta e demanda em prol ao equilíbrio da economia e redução do efeito inflacionário!

(Foto: arquivo pessoal)

 

* Walter Roque Gonçalves é professor executivo FGV e consultor de resultados.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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