Opinião

Esperança

"Em meio ao egoísmo e à mesquinhez de muitos, existe a bondade e a solidariedade de outros, como se houvesse uma 'compensação natural' ou divina para que ocorra um equilíbrio"

Adelmo Pinho
23/06/22 às 10h40

Num dia de domingo, como outro qualquer, fui à feira da praça Olímpica de Araçatuba e me senti otimista com o ser humano. Percebi que, apesar de estar decepcionado com a política, com as guerras e com pessoas, não se pode perder a esperança.

O fato foi que naquela ocasião, na feira, um idoso tropeçou, caiu e não conseguia ficar de pé. Diante do ocorrido, várias pessoas prestaram auxílio a ele, acolhendo-o com palavras e realizando atos para o seu restabelecimento.

Eu que tudo presenciei e participei desse momento, pude perceber no semblante do acidentado, ainda caído, que apesar de chateado pela situação, ele não se sentiu sozinho e ficou feliz pelo acolhimento e socorro recebidos. Aos poucos ele se recuperou e pôde deixar o local, dirigindo seu automóvel.

Mário Sérgio Cortella, filósofo, ensina que devemos ter esperança do verbo “esperançar” e não do verbo “esperar” . Esperar somente não resolve ... Vivenciando tal fato na feira, refleti que, apesar dos percalços da vida, não podemos deixar morrer a esperança. Em meio ao egoísmo e à mesquinhez de muitos, existe a bondade e a solidariedade de outros, como se houvesse uma “compensação natural” ou divina para que ocorra um equilíbrio.

Escreveu Willian Shakespeare (escritor, poeta e dramaturgo inglês), num dos trechos da obra Menestrel: “Com o tempo se aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso”.

Ter sonho é nutrir esperança. Temos que ensinar aos jovens que sonhos ou aspirações são importantes e não bobagens. A fé também é importante, ela nos dá esperança. Deixar de ter esperança, fé ou de sonhar, é renunciar à beleza da vida.

Enfim, o acolhimento do idoso naquela feira por pessoas anônimas, com as quais ele nunca teve contato, é a prova terrena de que nem tudo está perdido. Apesar dos pesares, o ser humano ainda possui bondade e amor para com o semelhante.

Não basta, porém, ser esperançoso somente: é preciso agir e ter motivação para seguir em frente. Como disse o filósofo Santo Agostinho (século 4º d.C): “a esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. Não perquemos a esperança para, assim, seguirmos confiando.  

Foto: Arquivo

 

 

 

Adelmo Pinho é promotor de Justiça do Tribunal do Júri em Araçatuba

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veiculo de comunicação 

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