Opinião

Fé e ciência. Criança é criança

"Na humanidade, a fé veio primeiro. Depois o ser humano foi observando a realidade, os fenômenos e teorizando. Assim foi formando a ciência"

Hélio Consolaro*
26/02/26 às 15h48
Foto: Divulgação

Armandinho é personagem de tirinhas do ilustrador gaúcho Alexandre Beck. Armandinho se parece com Mafalda, do argentino Quino, que tem uma função didática. Na tirinha apresentada, ele valoriza o conhecimento científico que é produto da observação humana.

O erro é privilegiar uma das formas de conhecimento. Há cientistas que valorizam apenas a ciência. Se não é científico não vale nada. Do outro lado, há os negacionistas, que negam a ciência e só valorizam a fé. Vacina, por exemplo, não vale nada. Muita gente morreu dizendo isso na pandemia.

Quais são as quatro formas de perceber a realidade por meio do conhecimento? A científica (métodos, testes e fatos verificáveis), filosófica (reflexão racional sobre conceitos universais), artística (expressão da subjetividade e beleza) e teológico/religioso (fé e revelação divina). Todas coexistem, e oferecem perspectivas sobre a realidade.

Em janeiro de 2022 (pandemia Covid 19), o grafiteiro Eduardo Kobra fez gratuitamente um painel numa das paredes do Hospital das Clínicas de São Paulo, no qual mãos juntas eram envoltas por estetoscópio. A imagem é a síntese de fé e ciência se colaborando na hora do desespero. 

Na humanidade, a fé veio primeiro. Depois o ser humano foi observando a realidade, os fenômenos e teorizando. Assim foi formando a ciência.

ESTUPRO DE VULNERÁVEL

A sentença do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) absolvendo um estupro na cidade de Indianópolis no Triângulo Mineiro, sacudiu a opinião pública brasileira, um caso de homem com 35 anos estar vivendo maritalmente com uma menina de 12 anos. A primeira instância da Justiça mineira condenou a situação, enquanto a segunda absolveu. Vou aproveitar a notícia para fazer uma reflexão. 

Estupro é forçar o sexo, quem sempre é acusado é o homem, porque ele tem a faca e a mulher tem a bainha. Nunca ouvi um caso que a tia houvesse estuprado um sobrinho.

Na Idade Média (tempo do descobrimento do Brasil), criança era um adulto pequeno. Não havia diferenças de tratamento entre as faixas etárias. Atualmente no Brasil profundo, nos grotões, na pobreza absoluta, as crianças são trocadas como se fossem bichos. 

No caso de Indianópolis, a menina foi passada para o adulto de 35 anos em troco de ele fornecer para os pais mensalmente uma cesta básica. Era uma tradição na família. A mãe havia se juntado com o pai da menina quando tinha 11 anos. Menstruou, era mulher. 

Há uma passagem que ilustra o Nordeste brasileiro, quando a região era bem atrasada, que o amigo falou para o outro: 

- Com esse assanhamento, sua filha vai virar uma prostituta. 

O pai respondeu: 

-Deus te ouça, Deus te ouça! 

A prostituição seria uma forma de renda para o pai.

A situação da mulher brasileira melhorou bem, mas já foi bem pior. 

Foto: Divulgação

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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