Opinião

Guerra financeira

A guerra financeira impacta diretamente na economia russa, contudo resvala em outras economias e gera impactos indiretos

Walter Roque Gonçalves*
04/03/22 às 17h57
Rublo desvalorizado diante do dólar é parte da guerra financeira contra a Rússia

Os contornos da guerra entre Rússia e Ucrânia estão além dos campos de batalha: os hackers intensificaram ataques aos computadores destas nações; o Facebook e o Google bloquearam as publicações de estatais russas. Há restrições nos aeroportos para voos pelo mundo. O transporte marítimo tem trajetos interrompidos. E, até a estátua de cera de Vladimir Putin foi retirada do museu de Grévin de Gramado em Paris. Contudo, a guerra financeira é tão relevante quanto o avanço das tropas russas em território ucraniano.

Com o objetivo de enfraquecer a Rússia economicamente, sanções foram aplicadas ao país elevando os juros, inflação, desvalorização da moeda local, o rublo. As incertezas tem levado a população aos bancos para sacar dinheiro e comprar moeda forte como ouro, dólar ou euro. Este movimento pode levar os bancos à falência. Soma-se a este esforço o bloqueio de US$ 300 bilhões dos US$ 630 bilhões das reservas internacionais russas. Em linhas gerais o país tem dinheiro depositado nos EUA, União Europeia, Reino Unido e Canadá e, simplesmente não pode sacar!

Outro ataque nessa guerra financeira é a exclusão da Rússia da rede Swift (“Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais”). Essa é a principal rede internacional de pagamentos do mundo que permite a comunicação entre as instituições financeiras. São trilhões de dólares transferidos anualmente com a ajuda da plataforma. Foi fundada em 1973 e fornece aos bancos uma forma de comunicação rápida, segura e barata. Sem o sistema Swift os negócios se tornam mais demorados, burocráticos e caros.

A guerra financeira impacta diretamente na economia russa, contudo resvala em outras economias e gera impactos indiretos. No Brasil, por exemplo, mesmo que a maior parte do trigo venha da Argentina, com o aumento internacional do preço do produto, o pão francês já está mais caro por aqui.

Outra questão já conhecida são os fertilizantes, responsáveis pela produtividade e custos dos alimentos. No Brasil, 85% do insumo é da Rússia. Portanto, a guerra financeira afeta diretamente o livre comércio com a Rússia. Espera-se que estas reuniões de cessar-fogo frutifiquem o quanto antes e tragam a paz novamente. 

(Foto: arquivo pessoal)

* Walter Roque Gonçalves é professor executivo FGV, consultor de resultados especializado em micro, pequenas e médias empresas.
(E-mail: walter@consultoriajk.com.br)


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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