Opinião

Guerra nas estrelas

"Ocorre que, consciente dessa ocupação espacial, os chineses já estão preocupados em como se defender de possíveis máquinas ofensivas, espiãs por exemplo, considerando que elas possam ser um risco para a segurança do país"

Cássio Betine*
12/06/22 às 11h00
(Foto: Reprodução/muitocurioso.org)

Recentemente o senhor todo poderoso da Space-X, Elon Musk, responsável por fabricar satélites de comunicação, que têm como objetivo oferecer internet para qualquer parte do mundo, lançou mão dos seus equipamentos para direcionar sinais para a Amazonia brasileira. 

Essa constelação de satélites (como são chamadas), operam em baixa órbita, cerca de 550 quilômetros de altitude da superfície da Terra. Só pra ter ideia, os satélites convencionais ficam a 35 mil quilômetros de distância. E essa baixa altitude permite uma cobertura de sinal para um raio de cerca de 1.000 quilômetros. Isso levará internet para aproximadamente 1.000 escolas na Amazônia. 

As empresas de telefonia são limitadas para levar esses sinais para áreas remotas em países continentais como Brasil, pois dependem de antenas terrestres, deixando assim de atender grande parte da população global. Daí a oportunidade para as empresas de satélites de comunicação entrarem no mercado.

Todos os dias, várias delas entram no setor, propondo vários tipos de aplicações, e claro, esses aparelhos estão ocupando a órbita da Terra. Isso significa que num futuro próximo, os céus estarão recheados de máquinas conectadas, recebendo e enviando informações.

Atualmente, há mais de 6 mil satélites orbitando a Terra e existem mais de vinte mil objetos maiores que dez centímetros orbitando o planeta, seiscentos mil maiores que um centímetro, e incríveis trezentos milhões maiores que um milímetro. 

Ocorre que, consciente dessa ocupação espacial, os chineses já estão preocupados em como se defender de possíveis máquinas ofensivas, espiãs por exemplo, considerando que elas possam ser um risco para a segurança do país.

Segundo pesquisadores chineses, esses sistemas poderiam ser utilizados de forma maléfica contra seus equipamentos, como antenas de transmissão, veículos autônomos e outras máquinas conectadas. Até mesmo, acreditam eles, que esses satélites poderiam transportar cargas militares disfarçadamente.

Nesse cenário defensivo, não seria raro presenciarmos situações de conflitos entre essas máquinas que ocupam o espaço acima de nossas cabeças, tripuladas ou autônomas, para fins comerciais ou geopolíticos, provocando, de repente, guerras espaciais.

(Foto: Arquivo pessoal)

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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