Opinião

Harmonização: bons vinhos e bons momentos!

Um pouco sobre harmonização no artigo de Neila Storti Moterani

Neila Storti Moterani*
29/10/19 às 17h27

Algumas combinações são inesquecíveis! Queijo com goiabada, pão com manteiga, o primeiro beijo com a pessoa por quem você se apaixonou e por aí vai. Com o vinho não é diferente. A harmonização une as particularidades do vinho e da comida para oferecer uma sensação única.

Nossa coluna de hoje veio para mostrar que alguns casais são eternos clássicos, enquanto outros, apesar dos contrastes, também formam um par perfeito.

Antes de qualquer coisa, a harmonização não é uma ciência exata. O que nós buscamos ao harmonizar um prato com um vinho é o equilíbrio entre ambos, para extrair o melhor dos dois mundos. Vinho por si só já é delicioso, mas quando ele acompanha uma refeição fica ainda melhor. Quem nunca ficou pensando qual seria o melhor vinho para acompanhar um prato especial?

Vamos simplificar. Algumas regrinhas tradicionais sugerem harmonizações pontuais, como: vinhos tintos encorpados que utilizam as castas cabernet sauvignon ou malbec vão casar com carnes vermelhas; brancos, como sauvignon blanc ou chardonnay, com peixes em geral. Mas essas regras devem ser encaradas apenas como uma direção. A harmonização depende muito dos sabores e sentidos que estão gravados em nossa memória.

Existem diversas formas de harmonização. Para resumir, vou dividi-las em três partes, sendo elas a harmonização por afinidade, a por contraste e a por tradição.

Eu particularmente adoro a harmonização por tradição. O que isso significa? Quando falamos em tradição, nos vem à cabeça os costumes e cultura de um determinado local e quando combinamos um vinho e um alimento provenientes da mesma terra e com as mesmas origens, eles não falham ao serem combinados. Um exemplo: pizza e vinho italiano, combinação clássica!

A harmonização por afinidade busca uma simetria entre o prato e o vinho quando aproxima o ponto forte da refeição ao ponto forte do vinho. Exemplo: pratos generosos pedem vinhos potentes e encorpados; assim nenhum sabor se sobrepõe ao outro. Um exemplo de harmonização por afinidade: chablis com ostras. Combinação clássica, baseada na mineralidade de ambos.

Outra harmonização muito bacana é a por contraste, um desafio delicioso ao paladar. Aqui os opostos realmente se atraem. Complexa e ousada, ela traz resultados surpreendentes. Um exemplo: Sauternes com queijo azul. Sauternes é um vinho doce que combinado com o salgado do queijo azul, torna a experiencia única.

Harmonização não é apenas combinar pratos e vinhos. Ela depende também das experiências que guardamos em nossa memória. Muitas vezes, ao experimentarmos um vinho com uma pessoa especial ou em algum lugar inesquecível, criamos uma sensação única em nossa mente e eu costumo chamar isso de “sabor da experiência”.

Nossas emoções e sentidos potencializam a harmonização. No fim das contas, a melhor harmonização é feita de momentos ao compartilhar sabores e sensações com pessoas especiais, que são aquelas que nos colocam em real harmonia com o mundo.

Por falar em sensações, nossa próxima coluna será sobre sabores e percepções que encontramos em um vinho. Nos vemos lá.

*Neila Storti Moterani tem 33 anos, é jornalista por formação e enófila por vocação.

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