Antigamente os bebês nasciam nas casas, a parturiente era ajudada pelas mulheres próximas e parteira (que era uma mulher que aprendia o ofício com suas ancestrais e acumulava conhecimento prático sobre gravidez e parto) e não havia muito o que pudesse ser feito em casos de alguma complicação mais séria.
Daí a ciência evoluiu, instrumentos e procedimentos tecnológicos surgiram, o conhecimento sobre gestação e parto avançou e passou-se a buscar soluções para aquelas complicações que antes podiam até causar a morte de um bebê ou sua mãe.
Infelizmente, com isso, o parto deixou de ser um evento natural e fisiológico, que girava em torno da família, em especial da mulher que estava ganhando um bebê e passou a ser um evento cada vez mais tecnológico, centrado nos profissionais, em que, muitas vezes, a própria gestante não sabe muito bem o que está acontecendo.
Perdeu-se esse apoio familiar, as mulheres muitas vezes não sabem como é um parto, o que esperar, o que é natural e o que pode, de fato, significar um problema. Com isso (e as mudanças socioculturais que acompanharam esse processo) o parto passou a ser um evento que causa muitas vezes medo, insegurança, um “mal necessário” e até, em alguns casos, repulsa.
Então, alguns grupos começaram a questionar esse modelo e buscar um resgate do nascimento do bebê como um evento centrado na mulher que vai parir e sua família. Surgiu o movimento da humanização do parto que visa trazer de volta a participação ativa da gestante como protagonista do processo, contando a tecnologia disponível.
Assim, o movimento não visa descartar todos os avanços que a ciência trouxe; mas promover nascimentos que resgatem a centralidade na família e tenham como suporte o que chamamos de tripé da humanização: o melhor da ciência (na forma da Medicina Baseada em Evidências), a autonomia da mulher e a assistência transdisciplinar.
Por isso, vale a pena buscar informações de qualidade para ter a melhor assistência em um momento tão importante.”