Opinião

Humanos e a nossa infindável estupidez

"Extasiam-se da expressão de medo e da angústia das vítimas que saltam das telas de TVs e dos celulares. Torcidas por líderes genocidas, autocratas e déspotas não são mais discretas"

Evandro Everson dos Santos
13/03/22 às 13h32

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, relativamente ao universo, ainda não tenho a certeza absoluta”, do físico teórico, Albert Einstei, (1879-1955). Humanos, somos uma criação indescritível. A dualidade entre a nossa sabedoria e a estupidez foge à razão. Às vezes penso que a sabedoria sobrepõe a nossa estupidez, porém, crassamente me engano. 

Há fartos exemplos da estupidez humana, o nosso cotidiano está repleto deles. A crise sanitária mundial em decorrência da pandemia da covid-19 expôs vários desses exemplos. Vimos o negacionismo da ciência, a antipropaganda, a disseminação de remédios ineficazes e a morte de mais de 650 mil pessoas até agora. Porém, com o controle da pandemia, havia esperança na construção de um mundo melhor. 

Entretanto, mais uma vez, a nossa miserável condição, coloca uma guerra no meio do caminho. A invasão da Rússia na Ucrânia, desvela a magnitude da nossa estupidez. A figura funesta que habita em cada um de nós, torna-se incontrolável, quando os iguais se encontram em seus guetos das redes sociais. A morbidez e o sadismo diante de tragédias são patológicos. Ignoram, deliberadamente ou não, que qualquer conflito bélico entre nações, desde que suas soberanias não sejam aviltadas, é inaceitável. 

Há certo prazer de ver e ouvir gritos de desespero. Extasiam-se da expressão de medo e da angústia das vítimas que saltam das telas de TVs e dos celulares. Torcidas por líderes genocidas, autocratas e déspotas não são mais discretas; desavergonhadamente se envaidecem vendo canhões de guerra massacrando automóveis com passageiros em seu interior. Regozijam enaltecendo a virilidade e a força do déspota de plantão. Sofrimento e a destruição do próximo são a energia que move essa estupidez humana. 

Nossa baixa performance cognitiva nos impede de refletir sobre as consequências que teremos de enfrentar nos próximos meses, anos, talvez séculos em razão desse conflito. Mundo afora, os efeitos da guerra não têm precedentes e no Brasil, com um cenário economicamente vulnerável, inevitavelmente será devastador. A conta virá para todos. 

“Pressões sobre os preços internos por conta do aumento da cotação do petróleo, dificuldades de suprimento de bens essenciais, como fertilizantes e trigo, e queda da demanda de importantes itens da pauta de exportações do País são alguns dos efeitos previsíveis, embora seu impacto seja difícil de aferir. A atividade econômica interna, já baixa demais, pode diminuir. (jornal O Estado de São Paulo, de 26/02/2022)”. 

Logo, inflação já em alta, pode aumentar mais ainda, a recuperação do mercado de trabalho é uma incógnita, a renda do trabalhador já em baixa, poderá diminuir, enfim, além de uma tragédia social, os mais vulneráveis economicamente pagarão novamente o preço da estupidez humana. Por fim, penso que num futuro não muito distante, que um dia conscientizaremos que em uma guerra não haverá vencidos ou vencedores, não há lados certos ou errados, todos perdem e todos estão errados.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Evandro Everson dos Santos é policial militar da reserva, graduado em economia e pós-graduando em gestão pública.

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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