Opinião

Início das aulas

"Para alguns alunos, um momento poético, para outros, vale o sacrifício, pois fazem colegas"

Hélio Consolaro*
29/01/26 às 15h10
Foto: Divulgação

Como cronista de longa carreira, já escrevi sobre o tema início das aulas várias vezes, ainda mais sendo professor. Para alguns alunos, um momento poético, para outros, vale o sacrifício, pois fazem colegas. O momento do encontro.

Até outro dia, estávamos em férias escolares, quando os pais não aguentavam mais os filhos em casa: "Não vão começar logo essas aulas!" Férias para o professor, trabalho pesado em casa. Aguentar os pirralhos 24 horas.

Além do IPVA, IPTU, há também a compra dos materiais escolares. É o 13.º às avessas. Nas escolas públicas, estão dando tudo. Só não estuda quem não quer. 

Atualmente, aposentado, nem saboreio bem as férias. Como avô, nessa época, encho a casa de netos em curtos períodos. Mas há vantagem de não ter ônus administrativo sobre os pirralhos. Só beijinhos e o presentinho do Natal.

Não sou aquele avô pegajoso, que denga neto. Fico observando, dou um beliscão e pergunto o que anda acontecendo. 

De vez emquando, ouço a pergunta de meus filhos:

- A gente dava tanto trabalho assim, pai?

- Sim, muito mais - respondo. 

Preciso me valorizar! Fazer uma média com os netos.  

Além de dar aulas, eu participava do sindicato. Organizar greve era um saco, mas necessário. Hoje não ouço tanta reclamação. Parece que os ajustes trabalhistas passaram a ser automáticos, como o piso salarial. Resultado das lutas passadas.

Hoje, vou à sede do sindicato (Apeoesp) para acertar as contas da Unimed. Os mais velhos, que deram a cara a tapa, andam dizendo por aí que o sindicato pelegou. Não vejo o problema assim. Estamos colhendo o resultado das lutas anteriores.

Os professores brasileiros não são tão prestigiados como no Japão, mas também não somos tão renegados como em tempos passados. Estou dizendo sobre os três níveis: federal, estadual e municipal. 

Até a elite brasileira descobriu que ter gente estudada é melhorar o mercado de trabalho, é ter empregados (ou colaboradores) mais preparados.

As aulas se iniciaram. Mais gente se engaja na caminhada da humanidade. Educar é passar aos mais novos os ensinamentos acumulados pelos mais velhos. Educação é uma revolução silenciosa.

Foto: Divulgação

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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