Opinião

Inteligência múltipla

"Cada ser humano demonstra sua capacidade cognitiva de forma única, até porque cada ser humano é único"

Adelmo Pinho*
03/04/22 às 09h35

Você já passou por alguma situação de não se sentir inteligente o suficiente, por não entender um conceito ou uma atividade intelectual? Uma pessoa pode ser mais inteligente que outra? A inteligência humana pode ser hierarquizada? O teste de QI – quociente de inteligência – é totalmente eficaz para medir a inteligência de uma pessoa?

São questões intrigantes, certamente. Na década de 1980, o psicólogo e pesquisador da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Howard Gardner, elaborou um estudo conhecido como teoria das inteligências múltiplas. Ele é autor do livro, “Estruturas da Mente” , que divulgou essa teoria.

Para Gardner, cada indivíduo possui habilidades únicas que pode desenvolver ao longo da vida. Para que a inteligência humana se desenvolva são levados em conta a genética e o contexto social.

Segundo a teoria de Gardner, existem nove tipos de inteligência: lógico-matemática (lidar com conceitos matemáticos), linguística (facilidade de se comunicar), interpessoal (compreender o outro), intrapessoal (lidar com o seu interior ou com as emoções), corporal (controlar o corpo), espacial (habilidade em se criar imagens, etc.), musical (reconhecer sons ou notas musicais), existencial (pensar sobre a vida - filósofos) e naturalista (lidar ou interagir com a natureza).

Gabriel Chalita, filósofo e escritor, numa exposição sobre esse tema, pondera que a inteligência é algo social, sujeita a influências, oportunidades e estímulos. Uma pessoa, por exemplo, pode ser um excelente jogador de futebol, mas não lidar bem com matemática.

Isso não quer dizer que o mesmo indivíduo não possa aprimorar a inteligência para essa ciência exata. Por isso, é importante que crianças sejam estimuladas desde cedo a desenvolver tais habilidades. Política pública na área educacional também precisa se adequar a essa realidade.

Cada aluno necessita de desenvolvimento e aprendizagem específica para aperfeiçoamento da inteligência na “área” que mais precise (musical, por exemplo), sob pena de o ensino cair numa “vala comum” .

A memorização é uma parte da inteligência cognitiva (intelectual e de raciocínio lógico) e requer treino e persistência, como se dá no preparo para concursos e vestibulares. Já a inteligência emocional diz respeito a capacidade de o ser humano lidar com as emoções.

A conclusão de Gardner nessa teoria é que, se você é capaz de desenvolver uma dessas formas de inteligência, poderá fazê-lo no todo, ou seja, não há limitação. A inteligência humana, enfim, é muito complexa e não pode ser compreendida totalmente através de uma prova ou de um teste de QI.

Cada ser humano demonstra sua capacidade cognitiva de forma única, até porque cada ser humano é único. 

Foto: Arquivo

 

 

*Adelmo Pinho é promotor de Justiça do Júri de Araçatuba

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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