Opinião

Lucro não é caixa disponível

"A gestão financeira não se restringe apenas à apuração de números, mas sim ao que os números querem dizer"

Éderson Leandro Rigon*
31/08/21 às 20h00

A quantidade de informações e relatórios a serem interpretados para a gestão financeira de uma empresa pode, em muitos casos, provocar uma confusão de dados e informações equivocadas sobre a situação econômica e financeira da organização. É sempre importante lembrar que a análise de dados feita de forma isolada, pouco informa sobre a real situação da empresa.

Um dos principais relatórios que uma empresa deve elaborar, seja qual for o seu porte, é a demonstração de resultados. Nela, devem estar relacionadas as vendas, e os custos e despesas de um determinado período, cujo objetivo é avaliar qual o lucro da empresa, ou, como reverter um prejuízo, se for o caso. Mas, uma situação que intriga muitos empresários é que, mesmo que a empresa seja lucrativa, é possível que ela tenha dificuldades financeiras, por uma razão simples, o lucro é um resultado econômico e não financeiro, logo, não representa dinheiro em caixa.

Ao elaborar uma demonstração de resultados, devem ser consideradas as vendas totais, mesma as efetuadas a prazo. Da mesma forma, custos e despesas devem ser considerados mesmo que o pagamento ainda não tenha sido concretizado. Sendo assim, um lucro apurado na demonstração de resultados, pode estar refletido em valores ainda a receber, por ocasião das vendas a prazo. O lucro pode ainda ter sido utilizado para a estocagem de mercadoria. No pior dos cenários, mesmo que o lucro esteja em caixa, ele pode ser insuficiente para sanar todas as obrigações financeiras da empresa. O lucro deve sim ser analisando com cautela, porém, não representa a situação financeira da empresa.

Por esse motivo, a gestão financeira não se restringe apenas à apuração de números, mas sim ao que os números querem dizer. É necessária uma combinação de fatores para que a empresa cresça e se mantenha sólida financeiramente. Ter atenção ao prazo de recebimento das vendas, ao giro dos estoques, e ao prazo médio de pagamento das obrigações, ajuda no planejamento da empresa.

A frase “Venda é ego, lucro é ponto de vista e caixa é realidade”, faz todo o sentido e evidencia que não é um único fator que determinará a saúde financeira da empresa. Tudo começa com a venda; o lucro, é necessário para a continuidade da empresa, mas a gestão do dinheiro em caixa é que será capaz de garantir a saúde financeira.

 

(Foto: Divulgação)

*Éderson Leandro Rigon é contador e professor universitário.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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