Opinião

MIA: 10 motivos para ir ao festival de música instrumental em Araçatuba

"Ninguém queria ir embora, nem os músicos e nem o público"

Manu Zambon*
26/08/22 às 16h00
Lan Lanh, Zé Renato e Leo Saconatto (Foto: Manu Zambon/MIA)

Começo este texto já me desculpando com o leitor, porque o título que escolhi induz ao erro. Não vou listar dez motivos para o público ir ao MIA (Festival de Música Instrumental), realizado em Araçatuba. O motivo é simples: não há (somente) dez motivos, mas sim, dezenas deles.

Portanto, em vez de falar de motivos, falo aqui de momentos; momentos mágicos e memoráveis, que somente a arte nos proporciona como uma intensidade que vai além das palavras. 

Enfim, vamos aos fatos. O MIA teve início ontem, dia 25 de agosto. Até domingo, o festival oferece a todos nós, apresentações e atividades gratuitas, conforme já divulgamos no Hojemais Araçatuba (se você não acompanhou, veja a programação aqui ). 

Mas o que tem de tão extraordinário neste festival? É só música instrumental. Então, essa é a resposta. O extraordinário é justamente a música instrumental, que uniu, na sua abertura, artistas locais, regionais, com nomes nacionais, no caso, a percussionista Lan Lanh e a mediadora do evento, Patrícia Palumbo (e sua memória de elefante). 

Antes de chegar ao evento com Lan Lanh, dois adendos. O primeiro: que bonito foi ver a apresentação de percussão, no calçadão, comandada por músicos de Guararapes (GRUV3). Improvisaram, levaram um pouco dos ritmos do maracatu e afoxé ao público que passava no local; rolou também AC/DC e Michael Jackson.

O segundo: a abertura oficial do MIA foi com a intervenção do músico Sérgio Rosa, que fez um solo de gaita emocionante. No palco, em sua cadeira de rodas, Sérgio fez a plateia ficar sem fôlego. O que dizer dessa união de possibilidades que a música permite? 

Em seguida, vieram Lan Lanh e Patrícia, para a primeira conversa tocada do festival. Na atração, a percussionista, que atualmente integra a banda de Maria Bethânia, e no passado tocou com Cássia Eller, contou sua trajetória, o início de tudo na Bahia, quando tinha 15 anos (inclusive, participação importante de Carlinhos Brown, que na época era apenas Carlinhos). Lan Lanh deu um show de profissionalismo, simpatia, enquanto Patrícia, que já é veterana do festival, mostrou que é uma enciclopédia da arte.

O bate-papo terminou, as luzes do palco foram apagadas, mas de repente, um som surgia da plateia, com o músico Zé Renato, surpreendendo a todos, tocando uma flauta. Para completar, Lan Lanh veio logo atrás, com seu pandeiro, juntamente com o músico Leo Saconatto, de Florianópolis (SC). Para mim, foi o ponto mais alto da noite: a interação de músicos locais com os convidados de outras partes. Todos da plateia acompanharam o momento batendo palmas e com sorrisos no rosto. 

Após essa tremenda troca de energia e de sons, o público ainda contou com grupo Arena Jazz Septeto, formado por músicos locais. Que apresentação impecável, com direito a uma "batalha" entre a bateria e o baixo, uma brincadeira entre os músicos Fernando Barbosa (baixo) e Cristiano Silva, que rendeu aplausos e exclamações de entusiasmo da plateia.

Ninguém queria ir embora, nem os músicos e nem o público. Mas, as cortinas que se fecharam para o encerramento das primeiras apresentações do MIA, se abrem novamente, hoje, no teatro Castro Alves (na rua Duque de Caxias). Todos são convidados dessa grande festa, que vale cada momento e cada sentimento que a música, ou toda forma de arte, nos proporciona. 

(Foto: Arquivo pessoal)

 

*Manu Zambon é jornalista do Hojemais Araçatuba , e cobre a área cultural em Araçatuba.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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