Opinião

Muito além da vitrine: o valor estratégico das lojas físicas no varejo contemporâneo

"Mais de 80% das compras no Brasil ainda acontecem em lojas físicas"

Por Nei Ferracioli
13/03/26 às 11h47

Em tempos de transformação digital acelerada, muito se fala sobre o crescimento do comércio eletrônico e sobre como ele mudou a forma de comprar e vender. De fato, o e-commerce trouxe praticidade, rapidez e novas possibilidades ao consumidor moderno. No entanto, em meio a essa revolução tecnológica, as lojas físicas seguem exercendo um papel fundamental no varejo — não apenas como ponto de venda, mas como espaço de experiência, relacionamento e confiança.

Dados recentes da CNC (Confederação Nacional do Comércio) e de pesquisas do setor varejista mostram que, apesar do crescimento do comércio online nos últimos anos, mais de 80% das compras no Brasil ainda acontecem em lojas físicas. Esse número revela uma realidade muitas vezes ignorada: o consumidor continua valorizando o contato humano e a experiência presencial.

E não é difícil entender o motivo.

As lojas físicas oferecem algo que nenhuma plataforma digital consegue reproduzir plenamente: a experiência sensorial e o relacionamento direto. No ambiente da loja, o cliente pode observar detalhes, tocar, experimentar, comparar produtos e tirar dúvidas imediatamente. Esse contato direto gera segurança na decisão de compra e reduz incertezas.

Outro diferencial importante está no atendimento personalizado. Profissionais preparados conseguem compreender as necessidades do cliente, oferecer orientação adequada e construir uma relação de confiança. Em muitos casos, o cliente volta não apenas pelo produto, mas pela qualidade do atendimento recebido.

Essa proximidade cria um elemento essencial no varejo: o vínculo humano.

A loja física também representa um importante pilar econômico para as cidades. Ela gera empregos diretos e indiretos, movimenta serviços locais, contribui com impostos municipais e mantém viva a dinâmica urbana dos bairros e centros comerciais. Ruas movimentadas, vitrines iluminadas e comércios ativos são sinais claros de desenvolvimento econômico e social.

Outro ponto relevante é que o varejo moderno já compreendeu que o físico e o digital não são concorrentes, mas aliados. Hoje muitas empresas adotam estratégias integradas de venda, permitindo que o cliente pesquise online e finalize a compra na loja, ou compre pela internet e retire presencialmente. Esse modelo híbrido fortalece a experiência do consumidor e amplia as oportunidades de venda.

Nesse cenário, a loja física deixa de ser apenas um local de transação comercial e passa a ser um espaço de experiência, relacionamento e construção de marca.

Valorizar o comércio presencial não significa negar os avanços do comércio digital — pelo contrário. Significa reconhecer que o futuro do varejo está no equilíbrio entre tecnologia e relacionamento humano.

Porque, no final das contas, comprar nunca foi apenas adquirir um produto.

Comprar também é sentir segurança, receber atenção, criar vínculos e viver uma experiência que nenhuma tela, por mais avançada que seja, consegue substituir completamente.

Foto: Reprodução

*Nei Ferracioli 

Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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