Opinião

Não é fácil ser jornalista

"Posso afirmar com toda certeza que não escolhi essa profissão por dinheiro"

Lázaro Jr.
10/02/26 às 10h50

Não, não é fácil ser jornalista. Para ser jornalista, acima de tudo é preciso ter responsabilidade. É fácil ser comentarista, ler as notícias que os jornalistas publicam e comentá-las, seja no rádio ou em redes sociais. Pior ainda, quando se aproveita do acesso a informações privilegiadas para utilizá-las em favor próprio ou para favorecer algum outro interesse.

Para ser jornalista, é preciso muito mais que vergonha na cara, é preciso além da responsabilidade, o respeito, que é indispensável em qualquer profissão. Só que o jornalismo não é qualquer profissão. O jornalista está o tempo todo lidando com as vidas de outras pessoas, por isso a necessidade de ter responsabilidade de apurar antes de fazer, falar, escrever ou publicar qualquer coisa nas redes sociais.

Para ser jornalista, durante quatro anos eu viajei de Penápolis a Araçatuba de ônibus, de segunda a sexta, após exercer minhas funções no meu trabalho, das 7h às 17h, com intervalo de uma hora para o almoço. Pegava o ônibus às 18h30 e chegava em casa de volta depois das 23h.

Finais de semana eram dedicados aos afazeres acadêmicos e ao trabalho extra que eu consegui para complementar minha renda e, mesmo assim, não conseguia pagar integralmente a mensalidade da faculdade.

Me formei em 2004, quando já exercia havia mais de um ano a função de assessor de imprensa de uma entidade sindical, trabalho que fiz por 20 anos. Também em 2004, passei a trabalhar com o jornalismo diário, que é a função que exerço atualmente, ou seja, em 2026, são 22 anos de experiência como jornalista.

Posso afirmar com toda certeza que não escolhi essa profissão por dinheiro. E se for para ganhar dinheiro, certamente terei que procurar outra profissão. Minha responsabilidade como jornalista é levar a informação de interesse para a comunidade, para auxiliar nas discussões que gerem melhorias para todos. Foi por isso que escolhi ser jornalista, porque acredito que o jornalismo tem o poder de contribuir para construir uma sociedade melhor.

Ao longo desses 22 anos de profissão, felizmente eu consegui fazer muitas fontes, de várias áreas, e são por meio delas que obtenho as informações para produzir os textos que publico. E se eu tomo conhecimento de um fato que é relevante e que envolve pessoa pública, é minha obrigação como jornalista, publicar, não importa se a parte envolvida é um desconhecido ou se é pessoa que conheço ou até mesmo do meu convívio.

Só que faço isso com responsabilidade, nunca antes de confirmar a veracidade das informações e sempre com base em fontes confiáveis, em documentos oficiais e respeitando a regra básica do bom jornalismo, que é ouvir a outra parte, quando ela quiser se manifestar.

Para quem não quer virar notícia, principalmente de páginas policiais, o que tenho a dizer é que basta agir com respeito e com responsabilidade, pois continuarei fazendo o meu trabalho, da mesma forma.

Foto: Divulgação

Lázaro Jr. é jornalista formado na primeira turma do curso de Comunicação Social da Unitoledo de Araçatuba e ainda não se vendeu

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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