Um dos grandes desafios na gestão financeira de uma empresa, é a determinação de um preço de venda para os produtos que seja justo para gerar lucro, e dentro de um patamar que o mercado consumidor esteja disposto a pagar.
Copiar o preço da concorrência, multiplicar o custo do produto por dois ou por três, ou utilizar ferramentas mais avançadas de gestão financeira, estão entre as técnicas mais utilizadas para se determinar o preço de venda. Para cada uma dessas técnicas existem inúmeros fatores positivos e negativos, que em momento oportuno serão abordados nesse espaço.
Mais importante do que estabelecer o preço de venda de um produto, é ter a clareza do quanto a venda contribui com o resultado ao final de um período. Essa clareza acaba ficando obscura quando em não raras vezes o empresário estima que um produto pode gerar um lucro de 100% ou mais. Isso é um mito, e infelizmente, as redes sociais estão repletas de conteúdos que “ensinam” a lucrar 100%, 200% ou 300% com a venda de um produto.
Esse equívoco acontece nos casos em que a margem de lucro é calculada partindo-se de quanto um produto custou para quanto ele foi vendido, e esse cálculo está incorreto.
Vamos a um exemplo prático: Uma determinada empresa adquiriu um produto por R$ 10,00, e o vendeu por R$ 30,00. Ao calcular a variação percentual do custo para o preço venda, o empresário pode imaginar que lucrou 200%, pois a “sobra” é equivalente a duas vezes o custo. Essa análise está incorreta, por uma razão muito simples.
A margem de lucro é proveniente da venda e não do custo do produto. Se o produto foi vendido por R$ 30 e custou R$ 10, o lucro de R$ 20 representa 66,67% do preço de venda. Isso sem considerar que sobre o preço de venda, incidirá impostos, reduzindo ainda mais a margem. Se o cliente pagou essa compra com cartão de crédito ou débito, haverá uma tarifa sobre o preço de venda, que também impactará na margem.
No final, aquele lucro que se imaginava ser muito elevado terá uma diferença considerável, provocando distorções na análise financeira e induzindo a decisões equivocadas, como na política de descontos, por exemplo, pois ao imaginar que um produto tem 200% de lucro, os descontos para pagamento à vista não terão grande impacto, podendo ser concedidos sem critérios.
É importante que o empresário tenha a clareza de que a venda já representa 100% do que a empresa obteve, e desse valor devem ser pagos, no mínimo, o custo do produto, e o imposto gerado na venda. Logo, jamais a margem de lucro será superior a 100%.
Agindo assim, o empresário evitará a sensação de que vende bem, tem boa margem de lucro, mas não vê a cor do dinheiro, pois quando se imagina que o lucro é maior do que a realidade, a probabilidade de se gastar além limite também aumenta.
