Opinião

O agronegócio em 2021

"No Siran estamos otimistas. Acreditamos em uma recuperação consistente da economia, que dependerá da superação de desafios internos"

Fábio Brancato*
28/12/20 às 14h42

Após disparada de 9% em 2020, o PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio brasileiro deverá crescer 3% em 2021. Esta é a expectativa da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

A desaceleração deve ocorrer por conta de uma alta menor dos preços dos principais produtos do agro, depois de cotações recordes em meio à pandemia da covid-19 e dólar alto. Já o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) aumentará 4,2% no ano que vem, frente a 17,4% neste ano. De forma geral, ainda que menor do que 2020, trata-se de um crescimento robusto.

Em nota sobre perspectivas para 2021, a CNA prevê um equilíbrio da oferta e da demanda, mesmo com a expectativa de produção maior para a maioria dos alimentos. Os técnicos da entidade destacam que, na questão dos preços, a pandemia desregulou os mercados, proporcionando fortes altas, que inclusive no país estiveram ligadas ao pagamento dos auxílios emergenciais, que aumentaram a demanda por alimentos básicos.

Os produtores de soja, milho e algodão, que têm mais mecanismos para travar os custos com vendas antecipadas, deverão sofrer menos com questões relacionadas aos preços dos insumos, que tendem a ser impactados ainda pelo câmbio. Além disso, o preço do milho, um dos principais componentes das rações para animais, está em patamares recordes, e as indicações de especialistas são de que as cotações seguirão firmes até pelo menos a entrada da segunda safra brasileira, a maior do cereal do país, apenas em meados de 2021.

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Outro dado positivo relativo ao setor está na Carta de Conjuntura Agro divulgada recentemente pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). No documento a entidade assinala que as contratações de crédito rural apresentaram bom desempenho entre julho e outubro, os primeiros meses do ano-safra 2020-2021, com a concessão de R$ 92,3 bilhões de crédito, “uma alta de 20,6% em relação ao mesmo período do ano passado”, contabiliza nota do instituto. Segundo o texto, “mesmo com a expansão do crédito, a inadimplência segue em níveis baixos”.

Quando o assunto é a questão ambiental – algo que aflige os leigos, que se rendem a dados e interpretações incorretas sobre os reflexos no mercado internacional –, o avanço da agropecuária e os seus impactos nos mercados globais para o Brasil, o país não está de braços cruzados. Pelo contrário. Os atores do setor têm trabalhando junto com o governo em programas de rastreabilidade. Com uma legislação ambiental rigorosa, temos condições de cumprir qualquer exigência internacional.

No Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) estamos otimistas. Acreditamos em uma recuperação consistente da economia, que dependerá da superação de desafios internos, como a aprovação das reformas administrativa e tributária – defendemos uma simplificação do sistema tributário, e faço questão de ressaltar que nos posicionamos contra o aumento de impostos associados ao agro, por parte do governo do Estado de São Paulo, único ponto negativo desta agenda.

O diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Jr., assinala que o agronegócio manterá em 2021 o “nível muito acima” de crescimento na comparação com outros setores de atividade econômica. Que assim seja

(Foto: Divulgação)

 

*Fábio Brancato é presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste)


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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