Opinião

O revival de Jogos Mortais

"Quase 20 anos após a criação de James Wan e Leigh Whannel, e oito filmes da franquia (sendo os sete primeiros totalmente interligados e lançados ano após ano), um novo capítulo foi apresentado ao público nesse ano: Espiral – O Legado de Jogos Mortais"

Marlon Ferri*
25/07/21 às 10h17

Quando o primeiro Jogos Mortais ( SAW ) foi lançado, em 2004, ninguém imaginaria que um filme modesto, com roteiro simples, mas com uma reviravolta surpreendente, moldaria o gênero dos filmes de suspense e terror a partir dali. 

Quase 20 anos após a criação de James Wan e Leigh Whannel, e oito filmes da franquia (sendo os sete primeiros totalmente interligados e lançados ano após ano), um novo capítulo foi apresentado ao público nesse ano: Espiral – O Legado de Jogos Mortais

O que mais chamou atenção dos fãs não foi mais um episódio de armadilhas e artimanhas que justificariam uma punição a alguém que cometeu alguma atrocidade, mas sim quem estava na produção executiva da história: Chris Rock.

Conhecido por diversas comédias e ter sua vida retratada no seriado Todo Mundo Odeia o Chris , o astro chamou atenção ao ser um dos principais responsáveis pela trama. Quando as atenções já estavam voltadas para o longa por essa escalação, e também por contar com Samuel L. Jackson, o trailer caiu nas graças do fandom e teve os olhares centrados para uma ideia: a franquia receberia um novo começo.

Os apreciadores não estavam de todo errado. Há uma nova atmosfera no filme. É muito semelhante a Seven – Os Sete Pecados Capitais ou O Colecionador de Ossos , o que, por si só, já empolgaria. Mas a trama é rasa e se quer é digna de ser chamada de legado do que foi apresentado lá em 2004. 

Chris Rock está carregado na interpretação. Afobado e histérico, o personagem parece viver com adrenalina a mil. Fora que, a cada quatro falas do personagem, pelo menos três são recheadas de palavrões que não acrescentam em nada a história.

(Foto: Divulgação)

As armadilhas e justificativas – ponto sempre alto da franquia – não são mirabolantes perto de tudo que já foi apresentado ao longo de oito filmes. Além disso, é nítido, logo nas primeiras vítimas, que não haverá escapatória real daquele jogo. Então, qual o sentido de se assemelhar ao icônico JigSaw

O filme vale pela curiosidade de quem foi adolescente e vivenciou todos os sete primeiros capítulos da trama e possui um carinho especial e nostálgico pela época. Não há nenhuma reviravolta surpreendente aqui. Para os mais atentos, é fácil identificar quem era o algoz de toda história. Nem Jackson salva, vide que está em poucas cenas, e nas que está imprime um personagem tão visto em outros longas de sua carreira, mas com muito mais espaço e brilhantismo em tela. 

Chris, infelizmente, dessa vez, teremos que te odiar. Que a suposta continuação não venha e, caso aconteça, que eu morda a língua e seja surpreendido como fui com um suposto cadáver levantado do chão e se mostrando que era o verdadeiro articulador de toda trama. 

(Foto: Arquivo pessoal)

*Marlon Ferri é jornalista em São José do Rio Preto (SP), músico, escritor, e apaixonado pela cultura pop/nerd desde a infância

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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