No Jornal “A Folha de São Paulo” , de 29 de maio de 2022, o humorista e cronista Ricardo Araújo Pereira discorreu sobre o tema: “obrigado a imaginar”, de forma bem interessante. Na língua portuguesa quando se diz “grato”, expressa-se um sentimento de gratidão, mas quando se pronuncia “obrigado” , não se trata somente disso.
Obrigado significa um compromisso de fazer uma ação. Estabelece-se o dever de retribuição do favor. E mais. Além do favor em si, cria-se um vínculo com a outra pessoa. A desoneração da obrigação se dá quanto a outra pessoa responde pelo “obrigado” , dizendo: “de nada” ou “por nada” .
Quando ao invés de “de nada” ou “por nada” , se responde: “imagina!” , a situação se complica. É como se o “obrigado” fosse um excesso de quem o disse, e ao se dizer em resposta: “imagina!” , significa “não precisa tanto” , ou seja, o “obrigado” foi exagerado.
O vernáculo está à disposição para a comunicação entre as pessoas, para que se possa expressar uma ideia corretamente. A língua portuguesa é um verdadeiro tesouro a ser explorado. Ela é dinâmica e rica em conteúdo gramatical. Gramática é o conjunto de regras para o uso correto de uma língua.
Palavras novas (neologismos) e gírias surgem com a mudança social e cultural. “Deletar” , por exemplo, é um neologismo, sinônimo de apagar. “Arretado” é uma gíria, que significa bacana. O dinamismo da nossa língua a torna bela. Penso que o importante para se estabelecer uma boa comunicação, escrita ou verbal, é manter clareza e objetividade na ideia que se quer transmitir.
Em qualquer área profissional da atividade humana (direito, jornalismo, medicina ...) que envolva a escrita, recomendável que ela seja simples (não simplória), para que possa ser entendida facilmente pelo leitor ou destinatário. A demonstração de cultura ou erudição não é proibida, mas não é o mais importante.
A linguagem erudita ou rebuscada, em regra, deve ser evitada, podendo ser restringida aos pesquisadores da língua e em situação que seja adequada ao contexto, como numa Academia de Letras.
Desnecessário dizer: “a esposa do suíno contorce o tendão caudal” , linguagem erudita, quando posso fazê-lo numa linguagem popular ou coloquial: “a porca torce o rabo” . Enfim, ao ler o artigo do cronista referido, achei que seria importante comentá-lo e acrescentar algo, sem maiores pretensões.
