Opinião

Planejamento tributário: uma alternativa para aumentar a lucratividade

"Empresas brasileiras gastam em média 1.958 horas/ano, aproximadamente 80 dias, para pagar seus impostos"

Éderson Leandro Rigon
12/10/21 às 15h04

Uma pesquisa do Instituto Endeavor publicada em 2019, demonstrou que o Brasil está entre os dez piores do mundo no quesito pagamento de impostos. A mesma pesquisa revelou que as empresas brasileiras gastam em média 1.958 horas/ano, aproximadamente 80 dias, para pagar seus impostos.

Outros países da América Latina, também analisados pela pesquisa, apresentaram média de 330 horas/ano. Passados dois anos da divulgação da pesquisa, não houve nenhuma ação do governo para a melhoria do cenário. Embora a reforma tributária esteja em tramitação no Congresso Nacional, porém, pelo texto original, não se vislumbra redução da carga tributária.

Diante disso, o planejamento tributário é uma ferramenta indispensável para minimizar a carga tributária, aumentar a lucratividade, e garantir a sobrevivência das empresas. O planejamento tributário deve ser objeto de constante análise e validação junto aos objetivos da empresa, uma vez que nem sempre a escolha do regime tributário mais econômico garantirá que a empresa seja competitiva no mercado.

Logo, o último trimestre do ano é o momento ideal para avaliar a situação econômica e financeira da empresa, o impacto tributário, e projetar a escolha do regime tributário para o ano seguinte, pois essa escolha deve ser feita em janeiro, e uma vez definido, não é possível alterá-lo. Uma decisão equivocada pode comprometer os resultados de um ano inteiro da empresa. 

A legislação tributária brasileira contempla três modalidades de tributação para as empresas: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Embora a maioria das empresas brasileiras sejam optantes do Simples Nacional, é preciso validar, ao menos uma vez por ano, que além de mais econômico, essa opção garanta competitividade às empresas. Além disso, o Simples Nacional, e o Lucro Presumido, têm como base de cálculo o faturamento, ou seja, empresas com faturamento elevado, mas com margem de lucro baixa, podem ter seus resultados ainda mais comprometidos pelos respectivos regimes tributários. A terceira opção, lucro real, possibilita que os impostos sejam apurados com base no resultado, e não apenas no faturamento, ou seja, os custos e despesas impactam na carga tributária.

Diante disso, qual o melhor regime tributário? Impossível responder essa questão, sem uma análise detalhada dos relatórios contábeis, das projeções de resultados, e do mercado em que a empresa está inserida. Não é possível sequer, determinar um regime tributário ideal para um setor específico, pois a análise deve ser feita sempre de forma individual, amparada em relatórios contábeis confiáveis, análise de mercado, e da legislação tributária.

Uma empresa que não possui contabilidade, jamais terá a possibilidade de reduzir a carga tributária, e a única certeza que o empresário terá é a da tributação sufocante, mas sem a possibilidade para, dentro da legalidade, melhorar os resultados da empresa.

(Foto: Divulgação)

*Éderson Leandro Rigon é mestre em contabilidade e professor universitário de Araçatuba

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


Gostaria de ter artigos publicados no Hojemais Araçatuba? Entre em contato pelo e-mail redacao@ata.hojemais.com.br  

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM OPINIÃO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.