Ano após ano, inúmeras mulheres continuam sendo agredidas física e psicologicamente por seus parceiros. Apesar de toda informação, a violência doméstica é uma das mais difíceis de ser prevenida e consequentemente evitada.
A naturalização da violência no ambiente doméstico, que se deu culturalmente ao longo da história, ainda impede que muitas mulheres identifiquem e reconheçam as agressões que sofrem.
Desculpas como ‘é o jeito dele’, ‘foi alguma coisa que aconteceu no trabalho’ ou até mesmo ‘como vou denunciar o pai dos meus filhos?’, mascaram e provocam a aceitação da violência. É comum que as mulheres reservem a palavra 'violência' para agressões que ocorrem no espaço público e não no espaço privado, como dentro da própria casa.
Além disso, quando se fala em agressão ou violência, as primeiras associações são tapas, murros, xingamentos, estupro. Quase nunca: manipulação, constrangimento, humilhação, vigilância, perseguição, chantagem emocional, destruição de objetos pessoais, ou tantas outras ações que provocam danos à saúde mental e à autoestima.
Causas como dependência financeira, submissão, o medo de novas agressões, a dependência afetiva, a culpa e a vergonha por não ‘melhorar’ o parceiro são apontadas pelas vítimas de violência doméstica para não denunciar.
Há uma enorme descrença nas instituições públicas também, o medo de que ao invés da situação se resolver, a denúncia possa piorar as coisas. Mas, então, como melhorar?
A informação é essencial, quanto mais informada, mais a mulher sente-se protegida. É necessário saber o que a Lei Maria da Penha pode fazer por você. Somado a isso, é indispensável uma rede de apoio formada por amigos e familiares ou, ao menos, profissionais capacitados.
A violência doméstica não é tão somente um caso de polícia, estamos falando de relações familiares, sentimentos de amor e ódio, história, vivência, relacionamentos. As mulheres não são culpadas pelas violências que sofrem, mas são as responsáveis por buscar soluções que as acolham.
O primeiro passo é abandonar a culpa, ninguém é responsável por ‘consertar’ ninguém, você não tem culpa de as pessoas serem como são. Nem sempre a mulher que procura ajuda deseja o rompimento do vínculo conjugal, às vezes, ela só quer que as agressões parem e o silêncio não é uma ferramenta para isso acontecer.
Procurar ajuda é prevenir danos e sequelas irreparáveis. Para atravessar é ponte, é preciso dar o primeiro passo, mas isso não significa que você precisa caminhar sozinha
