Opinião

Por que falar de covid incomoda?

Com mais de 190 mil óbitos, Brasil está próximo de atingir a marca de uma Araçatuba inteira de vítimas da covid-19

Hojemais Araçatuba
28/12/20 às 19h20

“Já pensou se os hospitais notificassem todas as mortes que acontecem dentro deles por todos os motivos? Viveríamos pra sempre com medo. Quem está vivo está apto para morrer”.

O comentário do leitor na publicação de uma matéria do Hojemais Araçatuba no domingo (27) sobre mais uma morte de paciente com covid-19 que estava em tratamento médico no Hospital Unimed Araçatuba reflete o pensamento de muitas pessoas.

Realmente, para morrer, basta estar vivo. Será que é por isso que tanta gente se arrisca dirigindo nas estradas em alta velocidade, sem cinto de segurança e após ingerir bebida alcoólica. Também será que é por isso que pessoas continuam sendo infectadas pelo vírus da Aids ao manter relação sexual sem proteção, mesmo sabendo que basta usar a camisinha para se prevenir?

Da mesma forma, todo mundo sabe dos riscos das drogas ilícitas e, mesmo assim, o tráfico de drogas só cresce, pois há cada vez mais pessoas consumindo entorpecentes. Por que? Por que a vida é um risco?

Assim como as mortes provocadas pelo trânsito, pela Aids e direta ou indiretamente pelas drogas poderiam ser evitadas por medidas simples, o mesmo ocorre com a covid-19. E é dever da imprensa informar sobre os riscos e as consequências da pandemia, pois trata-se de um problema de saúde pública, que afeta toda população e traz graves consequências econômicas.

Analisando individualmente, o risco de ter consequências graves ao contrair a covid-19 é mínimo. Segundo dados do Ministério da Saúde, o índice de letalidade do coronavírus é de apenas 2,6%, ou seja, de cada 200 pessoas infectadas, cinco morrem.

O problema é que o índice de infecção é muito alto. Desde o início da pandemia, a doença já matou mais de 1,7 milhão de pessoas no mundo e 190,7 mil no Brasil. Estamos próximos de atingir a marca de uma Araçatuba inteira de vítimas da covid-19 no País, pois segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a cidade tem hoje, aproximadamente 198 mil habitantes.

É possível que muitas dessas pessoas viessem a morrer de outras causas, se não tivessem contraído a covid-19, mas elas contraíram a doença. E morreram! Somente em Araçatuba, mais de 200 pessoas infectadas pelo coronavírus perderam a vida. Praticamente todas estavam em um leito de hospital quando tiveram o óbito constatado. A grande maioria em leitos de UTI.

São milhões investidos para tratar os pacientes infectados e mais outros milhões para cuidar daqueles que estão com sequelas. Sem falar dos atendimentos de Saúde e cirurgias que tiveram que ser suspensos devido à necessidade de destinar leitos ao tratamento de pacientes com sintomas de covid-19.

Além de ter que investir recursos no tratamento dos doentes, eles deixaram de gerar renda. Até 23 de dezembro, Araçatuba tinha 9.398 casos confirmados de coronavírus, sendo que 76% dessas pessoas têm entre 20 e 59 anos.

Portanto, é possível estimar que desde março, mais de 7,1 mil pessoas da cidade tiveram que ser afastadas das funções por pelo menos 14 dias por terem contraído covid-19. Qual o impacto disso na economia local?

Levando em consideração que os casos suspeitos também precisam ser afastados do convívio até a divulgação do resultado do exame, desde o início da pandemia, são mais de 21 mil pessoas de Araçatuba que poderia estar trabalhando, mas teve que ficar em casa. Isso porque, já foram notificados mais de 28 mil casos suspeitos de coronavírus à Vigilância Epidemiológica de Araçatuba.

Desde quando os primeiros casos começaram a ser identificados no mundo, a imprensa já alertava para a necessidade de se adotar medidas que impedisse sua chegada ao Brasil. A primeira morte no País foi registrada em 12 de março, em São Paulo. Na região de Araçatuba, a primeira ela ocorreu no início de abril, em Penápolis.

Nos dois casos, as vítimas vieram de outras localidades e trouxeram o vírus. Portanto, se as devidas medidas de controle tivessem sido adotadas, o coronavírus não teria chegado ao Brasil. Com o coronavírus circulando no País, a alternativa foi tomar medidas restritivas, que são impopulares, e pedir às pessoas que façam a sua parte, que é adotar as medidas de prevenção.

Cada pessoa tem o direito de decidir individualmente o que faz da sua vida, mas a partir do momento que os atos individuais refletem no coletivo, essa liberdade passa ser restringida e requer responsabilidade.

E cabe ao Hojemais Araçatuba a responsabilidade de informar as causas e as consequências da pandemia àqueles que estão preocupados com a própria saúde, com saúde das pessoas que se gosta e até das pessoas que nem conhece, pois todos pagam o preço pela pandemia, acreditando ou não nela.

O Hojemais Araçatuba continuará incansável no seu papel de informar os casos diários, os óbitos e a ocupação dos leitos dos hospitais, como faz desde que os números passaram a ser divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. Essa é a razão de um veículo de comunicação existir: informar a população, sem alarde, mostrando a realidade para que cada um analise qual o seu papel diante dela.

Não se espera que todos concordem que as medidas de prevenção com relação ao coronavírus sejam seguidas por todos, o que seria o ideal, mas elas devem ser repetidas, para que as consequências sejam minimizadas.

Todos os dias a imprensa alerta sobre os riscos do trânsito, das relações sexuais sem preservativo, das drogas e mesmo assim, diariamente pessoas morrem no trânsito, são infectadas pelo vírus da Aids e passam a usar entorpecentes.

Infelizmente, o Hojemais Araçatuba ainda noticiará muitas mortes de pessoas infectadas pelo coronavírus, pois a pandemia é uma realidade, apesar de haver quem não acredite nela. E é por essa negação que enquanto pessoas de vários países estão sendo imunizadas, no Brasil sequer há uma vacina aprovada para ser aplicada naqueles que acreditam na pandemia, que se cuidam e fazem sua parte para que o problema não seja ainda maior.

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