O novo flagelo incontornável que assola o Planeta no começo do século 21 desnuda, dentre tantas fragilidades e infortúnios, as atribulações, sem precedentes nos últimos cem anos, de liderar um país.
De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a pandemia da covid-19 é um dos maiores desafios desde a 2ª Guerra Mundial. Os reveses para os líderes mundiais subverterem as catastróficas consequências no novo coronavírus são no mínimo dantescos. Dentre outros aspectos da nova ordem mundial, em doses oceânicas, as finanças, as formas de consumo e de ensino, a frágil saúde pública, o esforço hercúleo pelo distanciamento social (mas mesmo assim, às vezes, com resultados pífios, haja vista a frequência das festas clandestinas), a atividade econômica e os relacionamentos são alguns dos desdobramentos que ressignificaram a atividade humana.
A amargura que açula o claudicante cenário econômico, a fragorosa quantidade de inúmeros óbitos, bem como as paisagens indeléveis, nunca antes vistas, nos grandes centros urbanos do mundo, impõem-se como algumas das maiores contrariedades, para as grandes lideranças mundiais gerenciar. Mais particularmente, dentre outras ações emergentes das lideranças mundiais, por exemplo, é preciso programar medidas de emergência para proteger milhares de empregos, sobretudo na esfera do turismo e da aviação.
Conforme a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo), o setor de turismo perdeu quase 50 mil estabelecimentos e, por conseguinte, milhares de vagas de emprego. São dados registrados somente entre março e agosto de 2020. Os negócios amargaram um prejuízo de quase R$ 208 bilhões.
Estímulos econômicos de emergência também precisam ser elaborados, particularmente, devido à má distribuição de renda e, portanto, a avassaladora desigualdade social no Brasil. No mais, reparar as falhas do debilitado sistema de saúde também se torna imperativo. Certamente, é mister que o alto nível de contágio do vírus, por meio de campanhas de vacinação, por exemplo, seja contido, principalmente entre os cidadãos mais vulneráveis, como os idosos, os profissionais da saúde e o incontingente incalculável de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. As previsões da ONU, num futuro bem próximo, não são nada otimistas: mais de 265 milhões passarão fome.
Dentre os procedimentos de alguns líderes mundiais na luta pelo combate à covid-19, o mundo tem assistido atuações governamentais bem-sucedidas que propiciam lufadas de bons ares apesar do cenário mórbido e desesperançado. Aporte e pareceres técnicos acerca da covid-19, bem como assessoria de profissionais especializados foram os nortes basilares das operações desses líderes mundiais no que se refere à luta contra o implacável patógeno que provoca a doença. Ademais, também se esmeraram em avanços tecnológicos para esse prélio viral, o que imprime apreço pelo avanço científico.
A vacina de Oxford, verbi gratia, produzida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, foi desenvolvida em inacreditáveis 10 meses. Trata-se de um feito científico que normalmente levaria 10 anos. Em síntese, a vontade de superar esse cenário pandêmico, sem precedentes na história moderna, e a benquerença pela vida da coletividade, em detrimento da riqueza e da soberba, vicejaram as ações das lideranças que priorizam atenuar a sofrimento e a continuidade da existência humana, acima de qualquer orgulho, fome de poder e posição subjetiva.
As condutas que saboreiam o triunfo da (quase) vitória sobre o vírus, principalmente por conta das vacinas, normalmente estão pautadas no esforço, na racionalidade, na prudência, na organização, bem como em posições técnicas com bases científicas. Dito de outra forma, a dinâmica do vírus, para esses líderes, em particular, demanda um estado de governança firme, racional, consistente, fundamentado e cauteloso. É patente ter foco, liderança e planificação para se combater a pandemia que fustiga, principalmente, os menos abastados.
Contudo, a ação do vírus escancara a desgovernança de alguns chefes de estado pelo mundo afora. Há deslizes vexatórios que têm enrubescido as autoridades sanitárias, médicos e especialistas e, obviamente, a população mundial. Os dissabores decorrentes do fracasso no combate à pandemia, em algumas nações, são oriundos de posturas tíbias em relação à negação da ciência, à improvisação, à prepotência, à falácia descabida, assim como ao desprezo à gravidade da moléstia, a opiniões conflitantes, dentre outros feitos irresponsáveis e irreversíveis.
Abundam meias verdades, competições entre governantes locais, desleixos em relação ao bem-estar coletivo, arena de egos, indefinições, titubeações, negacionismo (e, claro, mercenários, mal-intencionados para lucrar com a desgraça planetária). A maioria das condutas desses líderes é maquiavelicamente arquitetada de forma unilateral, sem debates ou deliberações coletivas, mas amparadas por convicções subjetivas, guiadas com vistas para o perpetuamento do poder autoritário.
Em tempos de pandemia, ou melhor, em qualquer momento sócio-histórico, as nossas vidas estão condicionadas às formas como os líderes conduzem as nações. As lideranças têm valor determinante em relação ao fato dos que “vão dessa para uma melhor”, como diz o eufêmico ditado popular, ou dos que ficam para, resilientes, resistir, expandir e construir uma nova realidade.
