Em exibição nos cinemas, o filme “Som da Liberdade” conta a história real do agente Tim Ballard, que investigava uma rede de pedofilia nos Estados Unidos, relacionada ao tráfico internacional de crianças para exploração sexual. Profundamente tocado, Ballard resolve largar seu trabalho para resgatar crianças vítimas dessa atrocidade, e parte para a Colômbia com esse fim.
O filme tem o mérito de mostrar uma realidade tão chocante e tão pouco falada: o tráfico sexual de crianças. Todos os dias, crianças são tiradas de suas famílias de diversas formas (enganadas, raptadas, roubadas...), para depois serem jogadas no submundo do tráfico, onde serão exploradas e subjugadas, jamais revendo seus familiares.
Uma vida de miséria para a criança escravizada, e um buraco aberto eternamente no peito dos pais, situação que é retratada de forma emocionante no filme.
Aprendemos que a pedofilia, somente nos últimos cinco anos, cresceu mais de 5.000%, por causa das inúmeras redes clandestinas nas profundezas da internet. E que o tráfico de crianças que serão usadas como escravas sexuais rende centenas de milhões de dólares.
Isso nos leva a diversas reflexões.
Primeiramente, sobre a realidade da escravidão em si. É chocante tomar conhecimento de seus níveis atuais: há mais humanos em situação de escravidão atualmente do que em qualquer época da história, incluindo quando escravizar não era ilegal.
Se as próprias Nações Unidas dizem que existem 50 milhões de pessoas escravizadas no mundo de hoje, por que o assunto é tão pouco discutido? E por qual razão o filme que trata do tema foi rapidamente demonizado e tido por “conspiracionista”?
Nossa sociedade discute diariamente questões como o uso do pronome neutro, a presença ou ausência de anões no filme da Branca de Neve, quais expressões “racistas” devem ser abolidas (a famigerada história do “criado-mudo” ), dentre outras banalidades que supostamente devem ser discutidas na ânsia de uma sociedade mais “tolerante e inclusiva” .
E uma questão como a tratada no filme é colocada debaixo do tapete, pouco falada, pouco combatida, quando não ridicularizada abertamente, como infelizmente temos visto em diversos meios de comunicação. Como diz o protagonista em uma passagem do filme, “o assunto é muito feio para uma conversa civilizada”.
No fundo, deve ser por isso que o filme é um sucesso de bilheteria. As pessoas estão cansadas de toda essa lacração enfadonha, que se traveste de virtude, mas que na realidade tem o único intuito de dividir a sociedade em grupos antagônicos.
O sucesso de bilheteria do filme se explica também pela ânsia das pessoas de proteger nossas crianças, em um mundo onde elas são cada vez mais erotizadas, expostas a músicas com letras de cunho sexual e a conteúdos nocivos na internet e televisão; ainda, incentivadas a “descobrir-se” , quando não a realizar, desde cedo, procedimentos para mudança de sexo.
Estamos acostumados a pensar que evoluímos, que nossa sociedade agora é “tolerante”, “inclusiva” e benévola, e não está mais sujeita às barbáries de períodos anteriores da história. A verdade é que a barbárie está assustadoramente presente – talvez mais do que jamais esteve – e muitas vezes os que dizem combatê-la são exatamente os que a perpetuam – seja pela sede de poder, seja pela pura maldade, seja pela ilusão causada pela ideologia.
